Com a retomada da economia que será possível com o avanço da vacinação, os clientes voltarão a usar linhas de crédito com taxas de juros maiores e ligadas ao consumo, como cheque especial e cartão parcelado. A avaliação foi feita nesta quarta (dia 5) pelo presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, durante entrevista sobre os resultados do banco, apresentados na noite de ontem.

De acordo com o executivo, esse é um dos fatores que permitirá ao banco impulsionar, ao longo de 2021, sua margem financeira com o cliente, que é quanto as instituições financeiras ganham com financiamentos a consumidores e empresas. No primeiro trimestre, esse resultado foi de R$ 13,2 bilhões, o que representa estabilidade em relação ao quarto trimestre de 2020 e alta de 2% na comparação com os três primeiros meses do ano passado.

Em seu guidance (projeções para o ano), o banco avalia que haverá uma alta entre 2% e 6% em 2021. Durante a crise, os bancos elevaram suas carteiras de linhas com taxas menores, como imobiliário e consignado.

“Esperamos que o mix de crédito irá mudar. Vai aumentar o uso do cartão parcelado, vai aumentar o uso do cheque especial”, afirmou o presidente do banco durante entrevista a jornalistas.

De acordo com ele, o Bradesco colocou à disposição dos clientes R$ 40 bilhões nos últimos meses. “O auxílio emergencial formou uma poupança. Agora isso já foi usado, e as pessoas vão começar a retomar linhas de crédito normais, como cheque especial e cartão”.

No balanço, o banco destacou que no primeiro trimestre houve uma forte aceleração da carteira de crédito para pessoas físicas, com destaque para crédito pessoal, consignado e financiamento imobiliário, que são linhas com menor inadimplência e taxas de juros mais baixas.

O banco, a segunda maior instituição financeira privada do país, divulgou um lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 73,6% na comparação com igual período de 2020. Em relação ao quarto trimestre, houve uma queda de 4,2%.

Agências e funcionários

O banco afirmou que acredita que, até o final do ano, terá fechado entre 300 a 400 agências físicas. No primeiro trimestre, foram encerradas as atividades de 83 delas. “Somos um banco com 80 anos. Temos agências que possuem mil metros quadrados, e portanto estamos fechando ou encerrando atividades de parte delas”, afirmou Lazari.

Ele afirmou que não há previsões para novas demissões de funcionários (já foram dispensadas 8,5 mil pessoas na recente onda de enxugamento do banco), mas sim algumas reestruturações, com contratações em áreas que se tornaram mais importantes para o banco. “Em relação ao time, já fizemos o que tinha que ser feito. Estamos buscando funcionários em áreas como TI e analytics”, disse.

As despesas operacionais do banco tiveram queda de 4,7% no primeiro trimestre na comparação com mesmo período de 2020.

Inadimplência, no pior dos cenários, volta a níveis pré-pandemia

O lucro do Bradesco no primeiro trimestre foi impulsionado pela queda de 41,8% nas provisões para calotes. Na avaliação de Lazari, a inadimplência pode aumentar nos próximos meses, mas, no pior dos cenários, ficará nos mesmos níveis de 2019, antes da pandemia.

“Fizemos provisões fortes para superar esse momento”, disse Lazari. “Mas, no realmente observado, houve uma redução da inadimplência para o menor nível da história”, afirmou.

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