Americanas e Casas Bahia, duas gigantes do varejo brasileiro, aderiram ao live commerce. Na China, onde esse formato é uma febre, são realizadas mais 50 mil transmissões ao vivo por dia, com potencial de faturamento de mais de 1 trilhão de yuans por ano.

No live commerce, vendedores e influenciadores participam de transmissões ao vivo no app da loja para mostrar produtos e serviços que estão à venda. Se o cliente gostar, é só escolher a peça, cor, tamanho e comprar lá mesmo.

“O e-commerce sempre teve o desafio de ser um canal muito frio de relacionamento. O cliente entra na loja, sai e nem sabemos por que não comprou, se foi porque achou caro ou não achou o tamanho. O live commerce esquenta essa relação. Como tem a presença ao vivo do vendedor e do influenciador, a relação fica mais interessante”, diz Renato Mendes, CEO da F5 Business Growth, que assessora empresas a entrar na jornada digital.

No entanto, Eduardo Yamashita, COO da Gouvêa Ecosystem, diz que a adesão ao live commerce ainda é tímida no Brasil. “Na Ásia, é uma febre. Os influenciadores têm um poder muito forte para comunicar engajar e realizar vendas.”

A Americanas, que estreou no live commerce em 2020, já percebeu que esse formato potencializa as vendas do e-commerce. “Completando um ano de operação neste mês de junho, a Americanas ao Vivo tem se destacado pelos altos níveis de engajamento. O projeto registra uma taxa de conversão sete vezes maior que a média do site e impulsiona o crescimento da busca dos produtos divulgados em mais de 10 vezes”, conta Leonardo Rocha, diretor de marketing da Americanas.

Por que as empresas aderiram a esse formato? Rocha, da Americanas, disse que a pandemia acelerou os planos de entrar nas transmissões ao vivo. “Vimos a necessidade de oferecer aos clientes uma nova experiência de compra que lhes garantisse uma experimentação ‘real’ dos produtos, o que acontece por meio da demonstração ao vivo nas lives.”

A Via fez sua estreia nesse formato em junho no app da Casas Bahia. “A ideia é levar um pouco do calor humano da experiência presencial para o digital. A ideia é fazer o cliente sentir como se tivesse entrado na loja e pudesse ir a fundo nas características do produto para decidir o que vale a pena para ele”, afirma Flavia Laginha, gerente-executiva de marketing da Via.

“Quando olha essa tendência de digitalização, que veio para ficar, e essa febre na Ásia, as empresas brasileiras começam a testar esse mercado para entender como funciona e ativar seus consumidores”, diz Eduardo Yamashita, COO da Gouvêa Ecosystem

Qual a frequência das transmissões? Na Americanas, são cinco lives por semana no app: às 15h nas segundas, quartas e sextas e às 16h nas terças e quintas. Nas Casas Bahia, será uma live por semana.

As lives têm famosos sempre? Na Casas Bahia, as lives são comandadas pelos vendedores. “Mas nada impede que a gente traga famosos ou especialistas em determinas áreas para falar com os clientes. Estamos testando”, diz Flávia.

Na Americanas, as lives têm vendedores e influenciadores. Já participaram delas nomes como Camila Coutinho, Ana Maria Braga, Rodrigo Faro, Jojo Todynho, Otaviano Costa, Camila de Lucas, Carla Dias, Rafael Portugal, entre outros.

Por que o live commerce pode virar febre no Brasil? Para Mendes, da F5, o brasileiro tem muitas características com o consumidor chinês, que ama live commerce. “O brasileiro gosta de rede social, gosta de influenciador e tem muita conexão com o digital. Aqui, é um dos lugares em que mais o consumidor toma decisões pautado por um influenciador.”

Quais são os próximos passos? Diferentemente da China, as lives brasileiras de e-commerce ainda não permitem que a compra seja feita diretamente no ambiente da transmissão. No caso da Casas Bahia, o cliente é direcionado para o vendedor por WhatsApp para concluir a compra e fazer o pagamento.

“O ideal é que toda a jornada de compra possa ser feita no mesmo ambiente, sem tirar o cliente da live”, afirma Mendes.

No passado, algumas marcas fizeram lives em canais de TVs e usaram um QR Code para que o cliente fosse direcionado para seu e-commerce. “Isso gera uma quebra na venda. Esse tipo de compra acontece muito por impulso, do momento e entusiasmo. Quando você sai daquele ambiente e entra em outro, dá para parar e racionalizar se precisa mesmo daquele produto. Você perde muito cliente quando tem essa quebra”, diz Mendes.

A expectativa é que as varejistas brasileiras incorporem essa opção de compra dentro da live. A Americanas fechou uma parceria em maio com OOOOO, plataforma mobile de social commerce, criada por Sam Jones, ex-diretor da Wish, e Eric Zhang, ex-executivo de tecnologia do Tik Tok. “O live commerce é uma vitrine extra e a tecnologia da OOOOO vai ajudar a escalar esta frente de negócios, oferecendo mais autonomia para a criação de conteúdo e um mundo de possibilidades em entretenimento e compras direto no app”, diz Rocha.

Vendedora apresenta produto em live commerce/Crédito: Diego Ubilla/Divulgação

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