A Boeing se prepara para reforçar a segurança de longo prazo de seu problemático 737 Max com tecnologia emprestada de veículos espaciais e drones urbanos, que podem fornecer dados para ajudar a fazer backup de sensores. O chamado sistema de dados aéreos sintéticos extrai e processa informações existentes sobre a aeronave e gera leituras que imitam o desempenho de caros sensores adicionais.

O sistema, acrescentado após a pressão de autoridades reguladoras de fora dos EUA, reduziria o risco de acidentes como os que ocorreram com o Max. Sua adoção também endereçaria o motivo de diversos acidentes aéreos fatais causados por leituras confusas na cabine, de acordo com engenheiros e estudos acadêmicos. O sistema já provou seu valor no 787 da Boeing. A Airbus está implementando técnicas semelhantes em seus aviões.

“A razão pela qual eu e várias pessoas estamos olhando para isso é a promessa de aumentar a segurança”, disse Demoz Gebre-Egziabher, professor de engenharia aeroespacial da Universidade de Minnesota que pesquisa esses sistemas.

No entanto, Gebre-Egziabher e outros alertam que a tecnologia envolve desafios complexos e que dificilmente a Boeing conseguirá colocá-la no Max em poucos meses. “Os algoritmos são complicados e certificá-los é uma dificuldade”, disse Gebre-Egziabher.

O avião mais vendido da Boeing — uma versão atualizada da família 737 — foi proibido de voar em março de 2019 após o segundo de dois acidentes em menos de cinco dias que mataram 346 pessoas. A sequência de eventos que levou às duas tragédias foi desencadeada pela falha de sensores conhecidos como aletas de ângulo de ataque. A nova tecnologia forneceria redundância para essas leituras sem adicionar sensores caros.

No começo de agosto, a agência reguladora da aviação dos EUA aceitou em caráter inicial a reformulação radical do Max sem a nova tecnologia, o que significa que o avião poderia receber liberação para voar novamente já no quarto trimestre. As correções também atendem a padrões de outras nações, informou a agência, conhecida pela sigla FAA (Federal Aviation Administration).

O novo conjunto de sensores virtuais que a Boeing planeja adicionar ao avião é resultado de exigências da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA), que declarou repetidamente que quer ainda mais proteções no Max.

Fazendo uma concessão, a AESA concordou em não atrasar a recertificação do avião, mas junto com a FAA, a agência europeia insiste que a Boeing faça melhorias futuras e explique como planeja fazer isso antes da aprovação final, disse uma pessoa familiarizada com as deliberações que não tem permissão para falar publicamente.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.