Se por um lado a pandemia do coronavírus vai levar à falência muitas empresas, por outro ela dá às fintechs de crédito a oportunidade de ocupar um protagonismo inédito. As startups financeiras surgem como uma alternativa necessária em um momento de necessidade por liquidez e de retração do crédito.

O contexto: a economia vai precisar de bilhões de reais para se reerguer. O governo vai injetar parte do dinheiro necessário. Mas é preciso que os recursos cheguem às micro, pequenas e médias empresas de forma eficaz. As fintechs, que têm sido reconhecidas pelo Banco Central por suas estruturas digitais e mais ágeis, estão sendo vistas como parte da solução para o problema. Elas se somam aos bancões nessa tarefa.

Quais são os desafios das fintechs? 

  • Para o governo, essas startups deverão provar que o modelo de análise crédito e distribuição de recursos é eficaz – preço justo, prazo ágil e baixo risco de inadimplência.
  • As empresas-cliente vão demandar crédito a um preço acessível. É difícil porque o cenário é de muito risco de inadimplência, sobretudo para setores mais afetados como bares e restaurantes. Isso tende a levar a um aumento na taxa de juros.
  • As fintechs precisarão ser sustentáveis, ajustar o custo da operação e manter seu próprio caixa saudável.

O que já está acontecendo? Um aumento na demanda por crédito e no risco de inadimplência, que resulta no encarecimento do empréstimo.

Na Weel, fintech que fomenta o capital de giro de empresas, o número de pedidos cresceu 84% na última semana de março, na comparação com períodos anteriores à pandemia. O aumento deve chegar a 220% até o fim da crise, avalia Nathan Yoles, vice-presidente de crescimento da Weel.

Como tudo isso impacta o negócio das fintechs?

  • Novos produtos: pensando no impacto da crise na cadeia dos fornecedores, Weel lançou a WEEL Supply para aliviar o caixa da empresa. Os fornecedores de determinada empresa podem antecipar os valores referentes às vendas ou serviços prestados ao negócio. Eles recebem à vista e a empresa paga a prazo.
  • Oportunidade de mais receita: o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou que as fintechs emitam cartão de crédito – além do empréstimo tradicional – para conseguirem mais operações.
  • Demora na análise de crédito: segundo Fábio Neufeld,da Associação Brasileira de Fintechs, os bancões já recuaram com algumas concessões, o que ajudou a aumentou a demanda e consequentemente o tempo de análise na média
  • Novo limite: O limite do empréstimo foi rebaixado e os custos da operação estão sendo recalibrados, complementa Neufeld.

Como as fintechs vão se afirmar? Vão sair na frente as fintechs que conseguirem mensurar o impacto das incertezas da pandemia  no modelo de análise. É isso o que vai garantir uma taxa de juros adequada e um crédito de qualidade – aquele suficiente para girar a economia enquanto também é acessível pelo empresário.

Quais os pontos mais delicados? Governo e mercado de capitais querem checar a performance dos modelos das fintechs. Se o dinheiro chegar onde precisa e a juros saudáveis, a proposta das startups pode se consagrar e ganhar escala.  O desafio e também a oportunidade é provar a capacidade de acesso a clientes e o empréstimo de qualidade.

Onde fintechs e governo se encontram? “O governo nesse momento tem o dinheiro mais barato do país, e pode mudar a taxa de juros para prover a liquidez que achar necessária.  As fintechs conseguem ter capilaridade e agilidade pra fazer esse dinheiro ecoar de maneira certa”, sintetiza Yoles.

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