Por muito tempo o Gympass funcionou como um aplicativo que permitia a entrada de seus usuários em milhares de academias cadastradas. Bastava fazer o check-in no aplicativo, entrar na academia e começar a treinar. Mas desde o início da pandemia, em março de 2020, as academias vêm sofrendo uma série de restrições de funcionamento. Agora mesmo, elas estão de portas fechadas em São Paulo, que está na fase emergencial de combate ao coronavírus.

Como o Gympass se adaptou a esse cenário de idas e vindas de restrições para as academias? Precisou mudar o foco, sair do atendimento presencial e ir para o ambiente online. E para manter e ganhar usuários passou a focar na saúde mental por meio de parcerias com plataformas de atendimento psicológico ou nutricional e investiu nas aulas online, seja na academia ou com um personal.

“Começamos essas mudanças há 1 ano. Pensar no bem-estar geral do usuário já era uma oportunidade que estava no nosso radar, já tínhamos identificado essa necessidade, mas a pandemia acelerou essa inovação”, diz Rodrigo Silveira, VP de new ventures do Gympass.

Essa guinada está em linha com os interesses dos brasileiros durante a pandemia. As buscas por meditação e mindfulness cresceram mais de 113% no Google entre janeiro de 2017 e novembro de 2020.  No Gympass, a demanda por aplicativos de cuidados com a saúde mental aumentou 106%, enquanto sessões de terapias individuais vêm crescendo 30% mês a mês no Brasil.

Leia abaixo entrevista com o executivo do Gympass:

Quando foi que vocês perceberam que era preciso mudar o foco?

Rodrigo Silveira – Quando as academias começaram a fechar na Itália, um dos primeiros países impactados, foi um sinal de que precisávamos fazer algo muito rapidamente para nos adaptar. Foi o que nos guiou, mas sem abandonar nossa missão como empresa, que naquele momento era de acabar com o sedentarismo. Nosso desafio era em como conseguir entregar valor para o usuário do Gympass em um cenário de academias fechadas. E ao mesmo tempo precisávamos ajudar todo o ecossistema a se adaptarem um momento tão único.

Foi aí que focamos nossa atuação em três pilares:

  • Criação de uma plataforma de aulas online;
  • Lançamento de uma plataforma para personal trainers;
  • Guinada para uma solução de bem-estar completa.

Como assim: Explica melhor, por favor.

Nosso primeiro movimento foi criar a plataforma de aulas online para que academias fechadas pudessem continuar a dar suas aulas. Por muito tempo, foi a única fonte de renda de muitas academias.

A plataforma de personal permite que o usuário agende uma sessão com profissionais de diversas modalidades. Ele pode desde montar seu treino até fazer uma aula de funcional, ioga ou meditação.

Esse pilar foi fundamental para que as pessoas pudessem se manter ativas na fase de readaptação. Elas tiveram de aprender a se exercitar em casa e o personal dá dicas de como improvisar, de como o movimento deve ser feito.

E o terceiro pilar, que foi o mais fundamental, foi deixar de ser uma solução de bem estar físico para virar uma de bem estar completo dos usuários, com acesso a academias, estúdios, aulas ao vivo, aulas com personal e a uma dezena de apps de saúde mental.

Mas sair do sedentarismo não exige constância? E essas idas e vindas de fases de restrição atrapalham?

Muitas pessoas têm a percepção de que a única forma de se manter ativo é indo à academia. Só que a pandemia acelerou as inovações e forçou uma experimentação forçada, fez com que os usuários conhecem novas modalidades. Ela acabou com o preconceito de que se exercitar em casa não funciona. Dá para ser ativo dentro de casa.

O que percebemos foi um crescimento grande da prática de ioga e meditação entre usuários que só iam à academia para treinar. Mas no digital, ele experimentou outras atividades. Não é uma relação de concorrência, de substituição, mas de complementaridade.

E como vai ser o futuro? O que esperar daqui para frente?

Olhando para os últimos meses, em que as academias estavam abertas, dá para ter uma visão de como pode ser o futuro daqui para frente. No começo, havia a sensação de que essas atividades online seriam provisórias e sumiriam. De que só a academia seria o normal. Hoje, dá para ver uma complementaridade entre o físico e as soluções digitais.

E as academias não precisam ter medo de que vão perder seus usuários para um app. Quando olhamos para nossa base, temos poucos usuários que usam apenas as soluções digitais. A maioria faz um uso híbrido: visita à academia e usa o app para complementar sua rotina de bem-estar. O digital vem, inclusive, trazendo novos usuários.

Onde o online avançou para esse segmento?

O digital vira um caminho para dar os primeiros passos, que geralmente são os mais difíceis na jornada do bem-estar. Normalmente, as pessoas desistem nos primeiros 60 dias. E temos visto que os usuários conseguiram fazer uma atividade de forma mais duradoura e virando depois usuários de academia.

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Veja modalidades com mais reservas na plataforma Gympass

• Crossfit – 20%
• Personal trainers – 19%
• Pilates – 8,6%
• Dança – 6,3%
• Condicionamento – 4,3%
• Yoga – 3,6%
• Treino aeróbico – 3,4%
• Alongamento – 3%
• Boxe – 2,6%
• Circuito – 2,5%

Outras curiosidades

  • Dia da semana com mais procura: segunda-feira (18%)
  • Horário preferido: 19h

 

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