Por Camila Moreira e Isabel Versiani

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil registrou a abertura de 316.580 vagas formais de trabalho em julho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Economia.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de abertura de 250 mil postos de trabalho. Em julho do ano passado, o país havia criado 137.014 vagas em momento em que o país ainda enfrentava medidas de combate à pandemia de Covid-19.

No ano de 2021, o país acumula agora a criação de 1.848.304 empregos com carteira assinada. No mesmo período de 2020, haviam sido fechadas 1.092.578 vagas formais.

Ao comentar os dados, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, disse que a expectativa é que o país feche o ano com a criação de “bem mais” de 2,5 milhões de postos formais.

Em julho, o setor de serviços respondeu pela criação líquida do maior número de vagas, 127.751, seguido por comércio (74.844 vagas). Para Onyx, os dados refletem a retomada da atividade no meio urbano. “Aqui fica uma lembrança, um recado aos prefeitos de ontem e aos prefeitos de hoje…de que quando as cidades caminham para a normalidade nós temos de novo esses dois setores respondendo de forma muito forte.”

Os desligamentos têm sido contidos no mercado formal pelo programa de estímulo ao emprego BEm, que oferece uma complementação de renda a trabalhadores que tenham seus contratos temporariamente suspensos ou sofram redução de jornada e salário.

Este ano, foram feitos 3,271 milhões de acordos no âmbito do Bem. O programa, implementado pela primeira vez em 2020, termina este mês, e uma Medida Provisória em tramitação no Congresso prevê a prorrogação apenas para trabalhadores gestantes, então o número de empregadores efetivamente protegidos diminuirá gradualmente nos meses à frente.

O saldo de empregos formais em julho foi o segundo maior do ano, depois de fevereiro (397.607) mas, em termos dessazonalizados, houve um recuo na comparação com junho, segundo estimativa da XP.

“Projetamos desaceleração gradual na criação líquida de postos daqui para frente, devido especialmente ao menor número de acordos empregatícios regidos pelo BEm e taxas mais moderadas de contratação nos setores de serviços e comércio (o que deve ficar mais evidente a partir do último trimestre de 2021)”, disse em nota o economista da XP Rodolfo Margato.

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