O Magazine Luiza está construindo um arsenal de guerra para enfrentar a crescente concorrência no comércio eletrônico brasileiro. A rede varejista está aproveitando que suas ações estão nas suas cotações máximas para levantar até R$ 4,4 bilhões em uma oferta primária de ações nesta terça-feira (12).

Qual o objetivo da oferta? Como se trata de uma oferta primária, o dinheiro será usado para aumentar os investimentos em tecnologia e expansão online. É o mais recente de uma série de movimentos de empresas como Amazon e Mercado Livre para atrair consumidores ávidos por novidades no ambiente digital em um dos países mais populosos do mundo. “É um setor muito competitivo e difícil, então é necessário investir muito para vencer a corrida”, disse Leonardo Rufino, gestor de portfólio da Pacífico Gestão de Recursos.

Qual o cenário do e-commerce no Brasil? Quatro empresas — B2W (dona da Americanas.com, do Submarino e do Shoptime), Mercado Livre, Magazine Luiza e Via Varejo (dona da Casas Bahia e do Ponto Frio) — detêm mais de 60% do mercado de comércio eletrônico no Brasil, segundo dados do Euromonitor International. O mercado de varejo online do país mais do que dobrou nos cinco anos até 2018 e deve quase dobrar novamente até 2023, para R$ 128,7 bilhões, segundo dados da provedora de pesquisas de mercado.

O poder das ações em alta: Os investidores do Magazine Luiza não se abalaram com a expansão da Amazon no Brasil. Desde que a empresa americana anunciou a chegada de seu programa Prime ao país, em setembro, as ações do Magazine Luiza subiram  38,5%, o melhor desempenho do Ibovespa nesse período. As ações mais que dobraram de valor em 2019 e estão no quarto ano consecutivo de retornos grandiosos.

Mesmo com a economia brasileira lutando para ganhar força após uma longa recessão, o Magazine Luiza tem frequentemente surpreendido os analistas. O lucro líquido ajustado superou as expectativas a cada trimestre desde o início de 2016. O último resultado superou até a estimativa mais otimista, com o volume de mercadorias brutas online crescendo 96% na comparação anual. As vendas em seu marketplace aumentaram 300%.

“A oferta de ações é um movimento estratégico, pois a empresa fortalece seu caixa para poder investir em crescimento”, disse William Leite, chefe da mesa de ações da Garde Asset Management, que possui ações do Magazine Luiza em seu portfólio.

Mas o cenário está competitivo: O Mercado Livre, que planeja investir mais de R$ 3 bilhões no Brasil no próximo ano, levantou cerca de US$ 1,85 bilhão (R$ 7,66 bilhões) em uma oferta de ações em março, com o objetivo de acelerar sua expansão na América Latina, um negócio no qual o PayPal investiu US$ 750 milhões. Em setembro, os acionistas da B2W fizeram um aumento de capital de R$ 2,5 bilhões na empresa para investimentos em sua plataforma digital e para a aceleração do crescimento.

Também há batalhas por nichos específicos. No início deste ano, o Magazine Luiza e o Grupo SBF, da rede Centauro, travaram uma guerra de ofertas pela Netshoes, a maior vendedora online de artigos esportivos no Brasil, que enfrentava dificuldades financeiras. O Magazine Luiza venceu com uma oferta de US$ 115 milhões — o que foi 85% a mais do que estava disposta a pagar inicialmente. No final de outubro, o SBF revidou e anunciou uma parceria com a B2W para “expandir seus negócios online no universo do esporte”.

O impacto sobre os investidores: A forte concorrência e o aumento dos preços das ações assustaram alguns investidores. Fernando Siqueira, gestor de portfólio da MZK Investimentos, não tem exposição a varejistas online. As ações do setor parecem “caras” e a concorrência é “muito forte”, disse ele.

A oferta do Magazine Luiza vem com uma ressalva que poderia adicionar pressão às ações. Se a demanda pela oferta ficar muito aquecida, os acionistas controladores LTD Administração e Participações e Wagner Garcia Participações estão dispostos a vender por volta de R$ 880 milhões em ações. Embora uma oferta secundária dos fundadores da empresa possa causar apreensão, gestores de fundos como Rufino, da Pacífico, permanecem otimistas. Ele aumentou a posição em Magazine Luiza após o anúncio da venda de ações.

“A pressão da oferta atrapalha, mas a maior parte é primária e é sinal de que eles veem um crescimento forte para frente ainda”, disse ele.

(Com Bloomberg)

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