A Via inaugura hoje para o público uma megaloja da Casas Bahia na marginal Tietê, zona oeste de São Paulo. Com 9.000 m², a loja funciona onde antes existia uma megastore do Pontofrio (que hoje se chama apenas Ponto).

Em tempos de acelerada expansão do e-commerce, a pergunta que se faz é por que a Via investiu tanto dinheiro – a empresa não revela a quantia, mas deve ter ficado na casa dos milhões de reais – em um espaço físico? Afinal, o consumidor está cada vez mais digital e acostumado a fazer compras de eletroeletrônicos e eletrodomésticos pela internet.

O CEO da Via, Roberto Fulcherberguer, já deu pistas sobre os motivos desse investimento. Ele defende que as lojas físicas não são apenas locais de vendas, mas hubs logísticos que aceleram e barateiam as entregas das vendas online na casa do consumidor.

Além disso, o cliente que compra pela internet pode retirar o produto na loja – nessa da marginal, em específico, o consumidor terá a opção de retirar no setor de entrega, em lockers ou no estacionamento, pelo sistema de drive thru.

Fulcherberguer diz que ficará cada vez mais difícil separar do resultado da companhia o que é venda online do que é digital. “Fechamos o terceiro trimestre com 60% das vendas transitando pelo online. Mas R$ 2 bilhões de GMV vieram do vendedor online, que é um vendedor que está fisicamente na loja, mas interagindo online com o cliente. Essa venda é física ou digital? Cada vez mais fica complexo definir o que é uma venda física do que é uma venda digital.”

No fim do dia o que importa é vender, não importa se pelo canal digital ou pelo vendedor da loja física. “Cada um desses formatos tem um papel dentro da estratégia das companhias. Existe essa estratégia multicanal e multiformato, onde cada um deles possui um papel a ser cumprido e no seu conjunto busca atender o cliente quando, como e onde ele quer”, afirma o COO da Gouvea Ecosystem, Eduardo Yamashita.

Mas como atrair o consumidor?

Mas como tirar do conforto do sofá o consumidor que aprendeu a comprar online? Ainda mais se a loja ficar longe de casa. Isso talvez explique a decisão da Via de fazer da megaloja Casas Bahia um laboratório de experimentação de novidades.

“Essa loja é laboratório para melhorar a experiência do consumidor. Aquilo que a gente entender que é bacana, que o consumidor gostou, a gente pode estender para outras lojas”, conta Fulcherberguer.

Entre as novidades está a possibilidade de testar produtos e serviços vendidos pela Casas Bahia ou pelos sellers do marketplace. Nesse primeiro momento, há produtos de 10 sellers na megaloja, mas esse número deve aumentar.

Mas como saber o que o cliente gostou ou não? A loja conta com câmeras inteligentes que identificam as áreas com maior fluxo de clientes. Além disso, ao fazer log-in para desfrutar de um dos serviços da loja, o consumidor será identificado, o que permitirá que a empresa direcione ofertas exclusivas para o seu perfil.

De posse dessas informações, a Via saberá se os produtos dos sellers estão fazendo sucesso ou não. O que não estiverem indo bem devem ser substituídos por outros.

Existe mais que inovação por trás da megaloja. Eduardo Yamashita diz que a loja serve para mostrar ao público os valores que a companhia tem. “Inúmeras empresas possuem esse tipo de operação: uma loja ampla, icônica, que vira o templo da marca e serve para afirmar tudo aquilo que a empresa quer ser e como se posiciona. Mostra para o público toda a proposta de valor daquela companhia.”

Fachada da megaloja Casas Bahia
Crédito: Divulgação

Tudo em um único lugar

Usando um pouco da estratégia de shopping, que é oferecer um pouco de tudo num lugar só, a megaloja terá minilojas de empresas parceiras, como Wine e Bauducco.

Produtos que não são encontrados nas outras lojas, como instrumentos musicais e malas de viagem, estarão à venda na megaloja.

Mas o grande apelo do lugar é a possibilidade de oferecer entretenimento ao público. Para entreter as crianças, há um espaço kids com tobogã, livros e tablets. Para agradar os que gostam de cozinhar, há uma cozinha da Brastemp – onde chefs ensinarão a preparar pratos com os equipamentos da marca.

Os gamers poderão participar de batalhas numa arena montada com muitos computadores. Uma casa inteligente mostrará aos clientes como ativar o sistema de luz ou o liquidificar a partir de uma assistente de voz do Google.

Mas como usar todas essas novidades? Personal techs ajudarão os clientes a escolher produtos e a configurá-los – a pessoa sai de lá com os dados do celular antigo no novo.

Quem quiser levar uma lembrança poderá tirar selfies numa cabine ao lado do CB, o novo Baianinho. Ou baixar a playlist da loja para escutar em casa.

Resta saber se todas essas novidades serão suficientes para atrair o consumidor para a megaloja.

Wine bar da Wine que fica dentro da megaloja Casas Bahia
Crédito: Divulgação

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