Para quem gosta de gente e de avião, não poderia haver profissão melhor. Elias Salviano, 30 anos, se encontrou quando passou a trabalhar na Latam, primeiro em solo, recepcionando passageiros no aeroporto de Brasília, e depois nos aviões da empresa, como comissário.

O sonho realizado por ele acabou sendo interrompido pela chegada da pandemia de coronavírus no Brasil, que paralisou boa parte dos voos no mundo todo. Em agosto do ano passado, assim como 2,7 tripulantes, ele foi demitido pela Latam. Diz que nunca desistiu de trabalhar no setor, mesmo com os meses passando e a segunda onda voltando a assustar neste ano.

“A pandemia assustou todo mundo. Por muito tempo nós ficamos fazendo uns dois voos por mês. Antes, a gente voava 20 dias por mês. Foi um período tenso, que terminou com a demissão, em agosto”, recorda. “Eu nunca tinha sido demitido, trabalho desde os 15 anos. Resolvi ficar alguns meses em casa”.

Em março deste ano, Salviano decidiu fazer um intercâmbio que envolvia trabalho voluntário nos Estados Unidos, onde ajudou com crianças autistas e com síndrome de Down. “Fiquei dois meses e meio lá. Um dia acordei com um e-mail da Latam perguntando se eu teria interesse em voltar. Embarquei para o Brasil, cheguei numa segunda-feira e na terça já fiz entrevista”.

Ele afirma que não tinha desistido de trabalhar como comissão. “Não tinha desistido de trabalhar no setor aéreo, porque para mim comissário é a minha profissão. Fiquei muito feliz”.

“Vai ser sensacional”

Para Salviano, o melhor da profissão é cuidar dos passageiros, dando inclusive segurança emocional para aqueles que têm medo de viajar, ainda mais em tempos de pandemia.

“Vai ser sensacional entrar de novo em um avião para trabalhar. Tomar conta das pessoas, dar segurança. Dentro do avião transportamos gente de todo tipo: gente triste, gente em lua de mel, gente que perdeu gente. Nosso foco sempre é a segurança, inclusive emocional dos passageiros”.

O encanto que as viagens aéreas exercem sobre funcionários do setor ficou claro nas últimas semanas, quando uma série de pilotos e comissários recontratados postaram na rede social Linkedin sobre a empolgação de voltar a voar. “Ser comissário é ter contato com gente, que eu amo, e com avião, que eu amo. É encantador”, afirma ele.

 

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