Se uma empresa é roubada, alagada ou pega fogo, para quem o dono liga primeiro? A resposta para essa pergunta muitas vezes é o corretor de seguros, que com frequência é a pessoa que oferece suporte para o pequeno e médio empresário nos momentos de adversidade.

É exatamente pelo relacionamento estreito que estabelece com seus clientes ao longo dos anos que esse profissional vem se renovando e ampliando seu escopo, passando a comercializar também produtos financeiros, como capital de giro, cartão de crédito e até adquirência de maquininhas de pagamento.

O movimento representa, para muitas corretoras, uma ponte para o mundo da novíssima tecnologia bancária. Para bancos, especialmente os digitais, é um caminho para conquistar mentes e corações de empreendedores.

Alguns bancos e seguradoras, como a Porto Seguro, já atuavam junto com corretores na distribuição de alguns produtos. Mas foi o digital C6 Bank que resolveu apostar com muito mais força na novidade, ampliando o escopo e mirando principalmente a pessoa jurídica.

“Pegamos carona na boa relação dos corretores com seus compradores. Para as corretoras, é uma forma de fidelizar um pouco mais sua base de clientes. É uma parceria em que as duas partes ganham”, resume Fabio Basilone, head de seguros do C6 Bank e head da C6 Seg.

Em 2019, a instituição financeira comprou a Som.us, empresa que atende mais de 3 mil diferentes corretoras e cerca de 10 mil profissionais, negócio que deu origem a C6 Seg, braço de seguros do banco.

A instituição financeira oferece uma série de treinamentos para corretores, que são remunerados por uma comissão que pode ser paga somente no momento da venda ou de reforma recorrente. Entre os produtos, estão abertura de conta para pessoa jurídica, cartão de crédito, capital de giro e adquirência de maquininha.

“Já treinamos mais de mil corretoras de seguro. Isso é importante, já que o corretor não quer arriscar o cliente dele distribuindo produtos que não domina”, diz Basilone. “Até agora nossos indicadores qualitativos dessa estratégia são todos muito bons”.

Fabio Basilone, head de seguros do C6 Bank (Crédito: Divulgação)

Profissão de pai para filho

O pai do carioca Diogo Rodrigues, 38 anos, trabalhou por três décadas em uma seguradora. Aos 21 anos, ele também começou a se interessar pela área e foi trabalhar na área de sinistros, se interessando depois pela comercialização desses produtos.

Há 7 anos ele é “susepado”, apelido do corretor que é autorizado pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia responsável pelo controle e fiscalização dos seguros, e hoje é sócio e diretor da Lograr Corretora, que há três meses estabeleceu uma parceria com o C6 Bank.

“Essa transição, de passar a comercializar produtos como crédito e adquirência de maquininha, é natural para o corretor. Tem cliente que me liga e pergunta: ‘tenho seguro automóvel, qual borracheiro você me indica?’. É um relacionamento diferente do que ele tem com um gerente de banco, por exemplo “, afirma.

O corretor de seguros Diogo Rodrigues (Crédito: Arquivo pessoal)

 

Essa herança da profissão é comum entre os corretores, até porque muitas vezes o filho assume o negócio dos pais.  Segundo Basilone, do C6, a possibilidade de ampliar o escopo para outros produtos, como crédito ou abertura de contas pessoa jurídica, acaba inclusive estimulando a nova geração a se manter no negócio.

“Às vezes, os filhos não querem continuar no negócio da família, mas querem trabalhar com produtos financeiros. Isso acaba ajudando na sucessão”, aponta.

Um novo caminho

Felipe de Carvalho Salvi, 37 anos, de Colina (interior de São Paulo) começou a trabalhar com seguros na área administrativa há mais de 10 anos, e sempre se perguntou até que ponto não seria interessante que corretores comercializassem outros produtos financeiros.

“Sempre enxerguei os produtos financeiros como interessantes, rentáveis. A própria Porto Seguro, onde eu trabalhei, permitia que o corretor oferecesse cartão de crédito, por exemplo, ou consórcios de carros. Quando optei por abrir uma corretora, eu já tinha isso em mente, essa possibilidade de oferecer produtos diferentes”, avalia.

Para ele, a pandemia acabou acelerando a necessidade de serviços digitais pelas empresas. “Hoje em dia, ninguém quer ir em agências físicas. Além de vender seguro de carro, por exemplo, eu posso oferecer maquininha de cartão e abrir conta PJ”, explica.

O longo relacionamento com seus clientes ajuda nessa transição. “Tenho cliente que faço o produto empresarial dele há cinco anos. A pessoa física adquire muito mais pela internet, mas o empresário quer uma pessoa de confiança”.

Basilone, do C6, lembra que o valor desse relacionamento é importante para os bancos.

“Seguro de empresas é um produto muito complexo. Há milhares de desdobramentos possíveis, e por isso as empresas precisam de um bom profissional acompanhando todo o processo”, explica. “É assim que se desenvolve o relacionamento, até pelos momentos difíceis que o corretor passa com clientes. Se roubaram a empresa, o corretor vai lá, se aconteceu alagamento, o corretor vai lá”.

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