Empresas chinesas têm escolhido estrear no mercado acionário dos Estados Unidos, apesar do confronto entre os governos de Pequim e Washington em várias frentes.

Companhias com sede na China levantaram US$ 9,1 bilhões por meio de ofertas públicas iniciais nos EUA neste ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, a caminho de registrar o maior total anual desde 2014.

A lista segue crescendo: a varejista chinesa de bens de consumo de descontos Miniso Group iniciou o processo para um IPO nos EUA, que poderia levantar até US$ 562 milhões. E a Lufax Holding, uma fintech chinesa, entrou com pedido na quinta-feira para uma listagem nos EUA que poderia levantar pelo menos US$ 3 bilhões.

“Os EUA continuam sendo um local atraente para a listagem de empresas chinesas”, disse por telefone Tucker Highfield, corresponsável de mercado de capitais para Ásia-Pacífico no Bank of America. Os EUA ainda oferecem às empresas chinesas maior flexibilidade, maior liquidez e um processo de listagem muito mais eficiente em termos de tempo, disse.

A expansão ocorre quando as tensões entre as duas maiores economias do mundo respingaram em vários segmentos, do comércio aos mercados. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em maio que estava de olho em empresas chinesas que não seguem as regras de contabilidade dos EUA. Em agosto, reguladores dos EUA ameaçaram proibir empresas chinesas de abrirem capital nos EUA, citando a recusa do governo de Pequim em permitir inspeções das auditorias das companhias.

No entanto, o mercado americano ainda recebe apenas uma fração das ofertas. China e Hong Kong atraíram 86% dos US$ 94,7 bilhões que empresas chinesas levantaram globalmente por meio de ofertas iniciais neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. O iminente IPO simultâneo da Ant Group em Hong Kong e Xangai pode levantar até US$ 35 bilhões.

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