Não entendeu por que a Pague Menos comprou a Extrafarma? Para começar, a aquisição coloca a Pague Menos no segundo lugar do ranking de maiores redes de farmácias do país, ficando atrás apenas da RD (Raia Drogasil). Com isso, ela passa à frente do Grupo DPSP (Drogaria São Paulo e Pacheco), antigo segundo colocado.

Mas não é só isso. Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), disse que foi a compra foi uma oportunidade para a Pague Menos. “Esse movimento de comprar outra rede não é uma tendência dentro do varejo de medicamentos. O normal é termos um crescimento orgânico, usando parte do lucro para financiar a abertura de lojas. Esse negócio foi uma oportunidade”, disse.

Como assim, uma oportunidade? De uma só vez, a Pague Menos conseguiu acrescentar mais de 400 lojas à sua rede, que já conta com 1.101 unidades. “É importante para a Pague Menos reforçar seu posicionamento no Norte e Nordeste, onde a Extrafarma é mais forte”, disse Eduardo Yamahista, COO da Gouvêa Ecossystem, consultoria especializada em varejo.

O preço também parece ser vantajoso quando se olha só para os números. O negócio foi fechado por R$ 700 milhões, menos que o R$ 1 bilhão que o Grupo Ultrapar pagou pela Extrafarma em em 2013.

Quais outros ganhos? Yamashita diz que o sucesso do varejo de farmácias depende muito da conveniência e proximidade. Por isso, é comum que existam várias farmácias no mesmo bairro: o cliente vai na que está mais perto da casa dele.

“Não é à toa que temos um dos maiores números de lojas por milhão de habitantes, perdendo apenas dos Estados Unidos. Comodidade e proximidade são pontos-chaves desse negócio, afirma Yamashita. “Por isso, concentração e capilaridade fazem todo sentido nesse ramo.”

E a estratégia online? Yamashita diz que a aquisição da Extrafarma dá para a Pague Menos a vantagem de ter mais lugares que podem ser usadas na estratégia omnichannel, caso do modelo de compra na internet e retira na loja. “O consumidor que compra pela internet, quer retirar perto da casa dela. Quem tiver mais lojas, ganha pela proximidade com o comprador.”

Farmácia é um ramo muito lucrativo? O varejo de farmácias faturou R$ 58,2 bilhões em 2020, um aumento se 8,8% na comparação com 2019. Mena Barreto diz que a lucratividade do setor é de 2%, ou seja, o lucro é de R$ 2 a cada R$ 100 vendidos.

“Esse é um negócio que se se justifica com grandes volumes. Uma pequena farmácia que fatura R$ 100 mil por mês vai lucrar só R$ 2.000. Mas se você tiver 1.000 farmácias e cada uma vender R$ 600 mil, o lucro será de R$ 12 milhões. Por isso, dependemos de escala”, disse.

As maiores redes de farmácia, segundo a Abrafarma, abrem 500 lojas por ano, em média. No ano passado, o setor ganhou 7.000 novas unidades, mas outras 4.000 fecharam as portas.

E a Extrafarma? Relatório da XP diz que a Pague Menos é mais bem preparada para realizar a necessária reestruturação da Extrafarma. “Nós vemos a Pague Menos como muito melhor posicionada para liderar essa reestruturação (vs. a Ultrapar) dada a sua experiência no setor, público alvo e regiões N/NE. Além disso, a companhia conta com diversos executivos experientes que já estiveram envolvidos em transações de M&A no setor.”

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