A demanda pelo milho brasileiro nunca cresceu tanto no país. A afirmação é de Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola, uma das maiores empresas produtoras de grãos do mundo.

O que explica esse crescimento? As indústrias de processamento de carne estão aumentando o consumo do milho porque ele é o principal ingrediente da ração para aves e suínos. Ao mesmo tempo, cresce a produção de etanol feito a partir do cereal, disse Pavinato em teleconferência com analistas nesta quinta-feira (dia 14).

A produção de etanol de milho na região centro-sul na nova safra aumentará quase 50%, para 1,8 bilhão de litros, com a ampliação da capacidade produtiva por meio da inauguração de novas destilarias.

A quebra (redução acentuada) da safra americana de milho nos Estados Unidos também favoreceu as exportações.

O que disse o executivo? “A demanda por milho no mundo é crescente e no Brasil está se fortalecendo, pelo etanol e pelas carnes também. Com a China importando mais todas as carnes, nunca a demanda cresceu tanto como cresceu agora. Temos mercado interno e de exportação, por isso está o preço está em patamar interessante”, afirmou Pavinato.

Há uma conjuntura favorável: a safra é recorde, as cotações atingem máximas históricas e a desvalorização do real favorece as exportações da matéria-prima, uma vez que reduz o seu custo em dólares.

Por que a China está importando mais carnes? O país asiático, que é o maior mercado consumidor do mundo, viu a oferta interna de carne despencar por causa da peste suína africana, que levou à matança de boa parte dos rebanhos.

Quais os números? As exportações de milho pelo Brasil devem atingir um volume recorde de 39 milhões de toneladas em 2018/19, previu a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A entidade projeta um aumento de 3,85 milhões de toneladas no consumo interno, para 63,9 milhões de toneladas.

Na nova safra (2019/20), embora preveja uma redução na exportação do Brasil para 34 milhões de toneladas, a Conab projeta um novo salto no consumo doméstico, para 68,1 milhões de toneladas.

Os preços do milho subiram mais de 5% neste mês, para mais de R$ 44 por saca, segundo o indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

(Com a Reuters)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).