“Não pague aluguel até 2021”, é a mensagem em um site de anúncios de apartamentos em Nova York da Related Cos.

A proprietária Stonehenge, de Manhattan, diz que a pessoa pode morar de graça por três meses em algumas de suas unidades. Isso além de poder se tornar sócio do programa de compartilhamento de bicicletas Citi Bike e receber vales-presente da American Express que a empresa oferece a estudantes e recém-formados que assinam contratos de aluguel.

Proprietários estão cada vez mais desesperados enquanto tentam preencher apartamentos em meio ao êxodo urbano. E já não relutam em abrir a mão: benefícios generosos que há poucos meses eram divulgados nos bastidores agora são anunciados corajosamente para qualquer um que navegue online.

“Não se pode mais esconder”, disse Gary Malin, diretor de operações da corretora Corcoran Group, que representa proprietários. “Os proprietários dizem a si mesmos: ‘Prefiro ser honesto desde o início, em vez ficar no vaivém e perder um inquilino.’”

Com muitas pessoas ainda em trabalho remoto, restaurantes praticamente fechados e escolas quase todas com aulas online, os nova-iorquinos têm poucos motivos para permanecer no distrito mais caro da cidade.

O número de apartamentos anunciados em Manhattan disparou no mês passado, para mais do que o dobro do estoque na comparação anual, de acordo com o avaliador Miller Samuel e a corretora Douglas Elliman Real Estate. A taxa de vacância subiu para um recorde de 5,1% em relação a 2% em agosto passado.

Com isso, inquilinos têm uma vantagem e vão escolher um apartamento com “a melhor oferta possível” em vez daquele que mais gostaram, disse Malin. “Os inquilinos têm preenchido de quatro a cinco solicitações ao mesmo tempo e negociado uma oferta contra a outra”.

Atrativos como um mês grátis, plano de academia gratuito ou pagamento da comissão da imobiliária há muito tempo são padrão em Nova York, quando proprietários querem preencher unidades em um mercado em desaceleração. Atualmente, não é difícil ver ofertas de três meses gratuitos, especialmente em prédios que oferecem cortesias sofisticadas que estavam fora do alcance durante a pandemia.

Nos edifícios da Stonehenge – todos menos um em Manhattan -, a ocupação era de quase 99% antes do lockdown, disse o CEO Ofer Yardeni. Esse número caiu para 85% quando inquilinos voltaram a morar com os pais, para distritos mais distantes ou para passar o verão na praia enquanto trabalhavam remotamente.

Agora, com o clima mais frio e reabertura das empresas, as pessoas começam a pensar em voltar, e Yardeni tenta atrair inquilinos com vantagens. A Stonehenge oferece três meses grátis porque seus concorrentes também estão oferecendo, disse. E, nos bastidores, os atuais inquilinos têm recebido até US$ 4 mil se encontrarem compradores para unidades vazias nos prédios da empresa.

“Estou no ramo há mais de 30 anos e nunca vi o mercado assim”, disse Yardeni.

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