A montadora chinesa Great Wall Motor considera adquirir uma das fábricas da Mercedes no Brasil, como parte do plano para expandir sua produção para além de seu país de origem. As informações foram obtidas pela Bloomberg com fontes envolvidas no assunto.

As duas empresas estão em negociações sobre o potencial negócio, estimado em centenas de milhões de dólares.

As deliberações estão em andamento e as empresas ainda podem desistir do acerto. Um representante da Great Wall não quis comentar. Uma porta-voz da Mercedes disse que a empresa continua a explorar oportunidades, mas não quis dar mais informações.

A montadora alemã disse em dezembro que encerraria a produção de automóveis no Brasil, citando as difíceis condições de mercado. Abriu sua fábrica em Iracemapolis em 2016 para produzir o sedã Mercedes-Benz Classe C e o crossover GLA. A empresa destinou mais de R$ 600 milhões na fábrica, que tinha capacidade de produção anual de 20 mil carros. As operações da Mercedes no Brasil atualmente incluem ônibus, caminhões e testes de veículos.

A compra de uma fábrica brasileira aumentaria a série de aquisições de fábricas da Great Wall nos últimos dois anos. A empresa anunciou a compra de instalações da General Motors na Índia e na Tailândia no ano passado. Ela assumiu o controle total da fábrica tailandesa em novembro, de acordo com um anúncio.

O negócio potencial surge no momento em que a Great Wall enfrenta uma competição crescente na China por veículos utilitários esportivos, um segmento-chave para a montadora. Marcas estrangeiras de empresas como Volkswagen e Toyota capturaram uma fatia maior das vendas de novos SUV da China em 2020 do que as empresas nacionais, e os concorrentes parecem prontos para ampliar sua liderança de vendas, escreveu o analista da Bloomberg Intelligence Steve Man em maio.

A Great Wall gerou vendas de 285,8 milhões de yuans (US$ 44 milhões) no Chile no ano passado, tornando o país seu maior mercado na América Latina e o sexto maior globalmente, segundo seu relatório anual. O Chile é responsável por cerca de 2,8% da receita da montadora chinesa em 2020.

O maior acionista da Mercedes, o bilionário chinês Li Shufu, também é fundador e presidente do Zhejiang Geely Holding Group. A Great Wall conta com a Geely Automobile Holdings como rival e tem uma joint venture na China com a própria concorrente alemã da Mercedes, a BMW.

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