Receita operacional, despesas financeiras, Ebitda, lucro recorrente e não recorrente. Se você costuma ficar entediado ao começar a ler os resultados financeiros das empresas, saiba que nem só de planilhas intermináveis vivem os balanços.

O 6 Minutos selecionou algumas curiosidades da temporada do segundo trimestre que ajudam a explicar o que aconteceu com o comportamento do consumidor no auge da pandemia de coronavírus, e como isso afetou os resultados para companhias de diferentes segmentos.

Cerveja x refrigerante

O balanço do segundo trimestre da Ambev é um bom exemplo de como o consumo de cerveja no Brasil é resistente às piores crises.

Entre abril e junho, no auge do isolamento social, a receita do grupo com a bebida somou R$ 5,1 bilhões, uma queda de 3,1% na comparação com mesmo período do ano passado. Mas quando se fala em refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas, o tombo foi muito maior, de 25,8%.

Em relatório, o Goldman Sachs classificou a resiliência da demanda por cerveja no país como “impressionante”. Não fosse isso, o grupo teria tido uma queda ainda maior do lucro líquido no segundo trimestre (a redução foi de mais de 50% ante 2019).

Remédio sem receita

Dados do balanço da RaiaDrogasil ajudam a explicar o comportamento do consumidor durante a pandemia de coronavírus.

Os medicamentos de livre prescrição foram o destaque do trimestre, com crescimento de vendas de 12,1%. Por outro lado, os remédios de marca tiveram alta de somente 0,5%, por causa da redução generalizada em consultas médicas não urgentes durante a pandemia.

Essa queda nas idas ao médico e a quarentena em si fizeram a rede ter um teve um lucro líquido 60% menor do que no mesmo período de 2019.

Sem free shop, sem uísque 

O balanço da Diageo, maior fabricante de bebidas destiladas do mundo, dá a dimensão de como as lojas nas salas de embarque dos aeroportos são importantes para a receita da empresa no Brasil.

Além da quarentena imposta pela pandemia, a companhia culpou as restrições de viagens internacionais, que reduziu drasticamente o movimento nos free shops, pela queda nas vendas no país, de 5%.

Apesar do crescimento na demanda por marcas de uísque super premium, como White Horse e Buchanan’s , a queda nas vendas de Johnnie Walker e Black & White puxaram o total para baixo.

“A queda do Johnnie Walker foi estimulada pela forte dependência das vendas no comércio e nos free shops, assim como o enfraquecimento da economia e desvalorização do real impactando o consumo”, afirmou a Diageo no balanço. “As vendas de uísque super premium se mantiveram resilientes através de campanhas para atender o consumo dentro de casa”.

As vendas líquidas do grupo, que tem sede na Inglaterra, caíram 8,4% no primeiro semestre.

Café com leite

Em seu balanço mundial, a Nestlé informou que as vendas no Brasil cresceram quase 10% no segundo trimestre, acima do desempenho do restante da América Latina.

As vendas do leite em pó Ninho, da fórmula infantil NAN e do café solúvel Nescafé foram beneficiadas pelo home office adotado em muitas empresas brasileiras, de acordo com o balanço da empresa.

A força do moletom

Com uma alta de mais de 200% no seu lucro no segundo trimestre, a Hering celebrou no balanço o sucesso da sua estratégia de e-commerce durante a quarentena e também o fortalecimento do seu ponto forte: roupas básicas, que durante a pandemia se tornaram mais demandadas.

“Observamos o fortalecimento do nosso core básico com forte demanda por itens essenciais, jeans, malharia e moletons”, afirmou a empresa.

A rede frisou que o lançamento de uma série de mini-coleções (as chamadas coleção cápsula, que independem das já conhecidas temporadas primavera/ verão e outono/ inverno) fez sucesso, com venda total de 75% do estoque em um período de 30 dias.

“As cápsulas que a gente fez retornaram resultados bem interessantes até por essa ideia do stay at home, do fique em casa, e a gente acha que isso deve se manter”, afirmou o diretor executivo de negócios da empresa, Thiago Hering, em videoconferência com analistas.

Garantia estendida em queda

Você sabia que as grandes redes varejistas cobram juros inclusive daquela garantia estendida que você contrata na hora de fazer sua compra por insistência do atendente?

Quando você parcela a compra, parcela junto a garantia adicional ao produto, e paga por isso.

A Magalu, por exemplo, contabiliza essa informação no seu balanço: entre abril e junho deste ano, a rede teve uma receita de R$ 4,45 milhões apenas com os juros desse seguro.

Achou muito? Pois no mesmo período de 2019 essa receita foi muito maior, de R$ 12,9 milhões.

Queridinha da Bolsa, a rede teve prejuízo de R$ 62,2 milhões no segundo trimestre, mas viu suas vendas aumentarem 49% no período com sua aposta no e-commerce.

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