Brasileiros seguem procurando o empreendedorismo para compensar o desemprego prolongado, mas dados positivos para outros tipos de empresas sinalizam o início de uma recuperação mais consistente da economia. Essa é a conclusão dos novos dados do indicador de abertura de empresas, divulgado nesta sexta-feira (24) pela Boa Vista.

Segundo o levantamento, o número de novas empresas abertas no Brasil cresceu 18,1% em 2019 em comparação com o ano anterior. Assim como nos últimos anos, o motor da alta continua sendo o registro de microempreendedores individuais, os MEIs, que representam 78,4% do total.

Para Flávio Calife, economista da Boa Vista, a alta dos MEIs reflete a persistência do alto desemprego no país, que leva um número grande de pessoas a criar pequenos empreendimentos e a prestar serviços de forma autônoma. Segundo os dados mais recentes, são cerca de 11,9 milhões os desempregados no Brasil.

A luz no final do túnel. Se a alta expressiva nos MEIs não é exatamente uma boa notícia, Calife destaca um fator positivo: o crescimento de 3,6% no agrupado dos outros tipos de empresa. Apesar de ser muito mais tímido, esse segundo número tem um efeito mais concreto para a melhora da economia brasileira.

Explica-se: Microempreendedores individuais são aqueles que faturam até R$ 81 mil por ano, o que equivale a cerca de R$ 6,7 mil mensais, podendo empregar até mais uma pessoa.

Para o economista, apesar de representar uma formalização e geração de renda para milhares de pessoas, esse segmento precisa vir acompanhado por mais novos negócios de maior envergadura, capazes de gerar vagas de emprego e colocar mais dinheiro em circulação.

“Quando aumentam mais outras empresas que não MEIs, isso é um bom sinal de que a recuperação da economia vai acontecendo. Para que se confirme, precisamos estar daqui a um ano falando sobre a redução do crescimento das MEIs e do aumento das outras modalidades”, diz Calife ao 6 Minutos.

Setor de serviços concentra novas empresas. Segundo o levantamento da Boa Vista, quase 62% das novas empresas abertas no Brasil em 2019 foram do setor de serviços, seguidos por comércio (29,6%), indústria (7,7%) e rural (0,9%).

De acordo com Flávio Calife, o resultado reflete o fato de que os dois principais segmentos casam com as finalidades principais dos microempreendedores, que são os pequenos comércios e a prestação autônoma de serviços. A participação da indústria, com maior potencial de empregos, subiu levemente (era 7,4% em 2018), mas ainda reflete uma mudança tímida.

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