Um marketplace está conectando micro e pequenos produtores da Amazônia a clientes do Brasil e do mundo para facilitar o acesso deles ao mercado, elevar seus rendimentos e mostrar o valor da floresta em pé. Os beneficiados são comunidades indígenas, quilombolas, agricultores familiares e pequenos extrativistas que vivem na floresta e tiram dela o seu sustento, sem destruí-la.

A plataforma que faz isso é a AmazoniAtiva, que já conta com mais de 50 produtores e 500 itens cadastrados. São produtos como castanha do Brasil, derivados de cacau, cosméticos naturais, polpas de frutas, peças de decoração, óleos, resinas, sementes, entre outros.

“Os fornecedores são pessoas que sabem a importância e o valor da floresta, que têm uma relação social, cultural e até sagrada com ela e incorporaram o compromisso de sustentabilidade. Com a vitrine virtual, o objetivo é melhorar a vida dessas comunidades a partir da venda de produtos de maior valor agregado direto ao consumidor final, sem intermediários”, diz Beto Mesquita, diretor da AmazoniAtiva.

No site, é possível buscar produtos por matéria-prima, por produtor ou por protagonismo, por exemplo, de lideranças femininas ou comunidades ribeirinhas. Os parceiros podem escolher entre apenas expor os seus produtos ou ativar a loja virtual para realizar vendas online.

Ativos ambientais também estão à venda

O marketplace também oferece ativos ambientais como créditos de carbono, de logística reversa, de reposição florestal e cotas de reserva ambiental. Sete projetos do tipo são contemplados, com iniciativas como reflorestamento e reciclagem.

Assim, as empresas que não conseguem reduzir suas emissões de resíduos para atuar dentro da lei podem comprar os ativos ambientais para fazer a compensação.

“Queremos valorizar atividades relacionadas à proteção da floresta e ações que ajudam a recuperar e reduzir a degradação”, afirma Mesquita.

O site é um projeto da BVRio, entidade sem fins lucrativos que tem como missão desenvolver instrumentos de mercado que favoreçam a implementação da legislação ambiental. Foi lançado em 2019, inicialmente para o estado de Rondônia, mas hoje abrange os nove estados que compõem a Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Logística da Amazônia é desafio

Se, por um lado, a plataforma facilita o acesso dos produtores ao consumidor final, por outro, a logística da floresta para escoar a produção continua sendo um desafio. Por isso, para 2021, estão sendo elaborados outros serviços para os parceiros, segundo Mesquita.

“Tem duas partes complexas da logística na Amazônia: a primeira é sair do meio da floresta, em alguns casos, são dois dias de viagem de barco até a cidade mais próxima. O outro desafio é o custo do transporte do produto até os grandes centros urbanos”, pontua o diretor da AmazoniAtiva.

Ele vê potencial de vendas no mercado doméstico, principalmente no eixo Rio-São Paulo, e também observa o interesse de países da Europa Central, principalmente para produtos finais, já elaborados e embalados. Por isso, um dos planos é montar pequenos estoques para facilitar a distribuição e diminuir o tempo de entrega.

Para o especialista em inovação e tendências Arthur Igreja, a demanda para um e-commerce desse tipo já existe. “O consumidor está cada vez mais preocupado com sustentabilidade, com o meio ambiente, com a procedência do que consome. As pessoas querem saber onde comprar e os produtores precisam de profissionalização”, diz.

A confiabilidade é uma vantagem, mas também pode ser um risco se o volume de vendas se tornar grande demais. “A oferta tem que ser bem administrada, não pode gerar uma super demanda a ponto de incentivar uma exploração predatória, que vá na direção contrária ao propósito de valorização e preservação da floresta”, alerta.

A plataforma AmazoniAtiva já conta com mais de 50 produtores e 500 itens cadastrados, como castanha do Brasil, derivados de cacau, cosméticos naturais, polpas de frutas, peças de decoração, óleos, resinas, sementes, entre outros
Crédito: Divulgação

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