Quer pagar no crédito, débito ou Pix? Se depender das empresas de adquirência, os lojistas vão usar as atuais maquininhas de cartão para receber pagamentos pelo Pix. A dúvida é quanto isso vai custar e se vai valer a pena utilizar esses equipamentos para fazer transações.

Para saber se compensa, os comerciantes precisam primeiro saber quanto vão pagar para receber pelo Pix na maquininha. O x da questão é que poucas empresas do setor definiram regras claras de cobrança. Fontes dizem que as adquirentes estão esperando o concorrente anunciar a taxa para só depois definir a sua. Outros dizem que o setor ainda está precificando custos, daí a demora para anunciar o modelo de cobrança.

Marcelo Martins, líder da área de pagamentos da ABFintechs (associação brasileira de fintechs), diz que parece haver um pouco de confusão sobre a definição da taxa de desconto com Pix. “A gente vê empresa cobrando em centavos e outras fixando um percentual da transação. Não que seja errado, pois é tudo muito novo e as empresas ainda estão descobrindo como precificar a taxa.”

É justamente por isso que a InoveBanco diz que resolveu esperar um pouco para oferecer o Pix nas maquininhas da InovePag. “Está um pouco confuso ainda, ninguém sabe direito como cobrar. Como o modelo econômico ainda está indefinido, resolvemos colocar o pé no freio pra decidir qual caminho comercial vamos percorrer”, diz Patrick Burnett, CEO da InovePag.

Mas que taxas são essas? Poucas empresas anunciaram de forma clara suas taxas de desconto na maquininha – apenas o C6 Bank e o Mercado Pago. Veja o que já foi anunciado e o que circula entre fontes do setor:

GetNet: não divulgou sua taxa

Stone: não divulgou, mas fontes dizem que será 1,89% por transação

Cielo: o preço vai variar caso a caso, assim como funciona nas modalidades débito e crédito.

Rede: os clientes ficarão isentos de tarifas nos primeiros seis meses. Após esse período, haverá cobrança nas transferências via Pix e recebimentos por QR Codes nas maquininhas. O valor da taxa não foi informado. Fontes dizem que a taxa será de 1,45%.

C6 Pay: isenção de tarifas nos primeiros três meses. Do quarto mês em diante, haverá cobrança de R$ 0,15 por transação, apenas a partir da 101ª venda – essas condições são válidas para maquininhas vinculadas a uma conta do C6 Bank.

Mercado Pago: primeiras 30 transações gratuitas por mês para recebimento tanto pelas maquininhas quanto para quem tem o Código QR em uma plaquinha ou integrado ao ponto de venda. Após esse limite, será cobrada uma taxa de 0,99% por transação.

Como saber se essas taxas compensam? Uma base de comparação pode ser a taxa do cartão de débito. Hoje, a taxa média de desconto – percentual que os comerciantes pagam por transação – é de 1,05% no cartão de débito e de 2,08% no cartão de crédito. Esses percentuais variam de acordo com o tamanho da empresa, valor transacionado e relacionamento.

Por conta dessas variações, Carlos Netto, CEO da Matera, diz fazer essa avaliação depende muito de cada caso. “O débito do Whatspp Pay ia ser de 2,4%. Uma grande rede de combustível paga 0,5% no débito. Se um autônomo pagar 0,99%, para ele vai ser mais barato que os 2,4%. Mas se uma rede de combustível pagar 0,99%, vai ser caríssimo, pois ela já tem uma taxa de 0,5% no débito”, disse.

Martins, da ABFintechs, diz que várias das taxas anunciadas são iguais ou até superiores ao que a empresa já cobra no débito. “O Mercado Pago já cobra 1% no débito, não tem diferença para o comerciante receber no débito ou no Pix.”

Para as empresas de maquininhas é vantajoso? Super. Fontes que acompanham o setor dizem que elas dividem a receita da taxa de desconto do débito com o emissor (banco) e bandeira do cartão (Visa ou Mastercard). Ao receberem pelo Pix, elas eliminam esses dois parceiros da operação.

O Pix vai matar a maquininha? Parece que não. Martins, da ABFintechs, afirma que a operação com maquininha pode ser mais prática para empresas de médio porte ou que possuem muitos caixas começarem a operar logo com o Pix. “O pipoqueiro imprime o QR Code estático e começa a cobrar do Pix. Ou usa o celular. Como faz isso em um restaurante? Cada garçom vai ter um celular para receber. Comércios com grande rotatividade precisam integrar o Pix a seus sistemas de caixa. Com a maquininha fica mais fácil, ele já tem o equipamento, é só começar a usar.”

Para Burnett, da InovePag, a maquininha ainda tem vida longa. “Para o desbancarizado, ter cartão abre um mundo de possibilidades, ele se sente mais gente. E o pequeno comerciante das pequenas cidades não entendeu direito o que é Pix. Esse empresário tem confiança no sistema de pagamentos com cartão.”

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