Quais os limites para o crescimento do atacarejo no Brasil?

Para o Carrefour Brasil, esse limite ainda está distante do seu potencial. Líder no país do segmento que concilia características do supermercado (acessível ao consumidor final e vendas de produtos com quantidades limitadas) e do atacado (como preços mais baixos e variedade menor de produtos), o grupo francês anunciou no domingo a compra de 30 lojas da rede Makro, que pertenciam à holding holandesa SHV, por R$ 1,95 bilhão.

O negócio precisa ser aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O atacarejo respondeu por mais de 50% das vendas totais de R$ 62 bilhões do Carrefour no Brasil no ano passado, por meio da bandeira Atacadão. Após fechar o negócio no domingo (dia 16), Noël Prioux, presidente do Carrefour Brasil, e Sébastien Durchon, diretor financeiro, conversaram com o jornal O Estado de S. Paulo.

A seguir, os principais trechos da entrevista dos executivos do Carrefour.

Qual é o risco de o Cade não aprovar a transação?

Prioux: Dependendo da loja do Atacadão, entre 50% e 60% dos clientes são consumidores finais e frequentam outros formatos de varejo. O cliente usa oito tipos de lojas. A nossa visão é que o mercado é global e o cliente escolhe onde quer comprar. O Atacadão tem muitos concorrentes. Se o Cade analisar dessa maneira, não teremos problemas.

Há informações de que as lojas do Makro são deficitárias. O Carrefour está comprando prejuízo?

Prioux: Não importa o resultado das empresas que compramos. Nós temos o nosso modelo. Mais importante para nós é a localização. A partir disso vamos aplicar o nosso modelo. Esse negócio vai aportar mais vendas e valorização. É a razão pela qual estamos dispostos a pagar esse preço.

Qual será a sinergia dessa compra?

Durchon: Vamos converter as lojas e implantar o nosso modelo. Isso quer dizer que a venda por metro quadrado vai aumentar bastante, 60% mais ou menos. Do ponto de vista da estrutura de custos, o aumento será muito marginal. Já vínhamos abrindo 20 lojas por ano. Serão mais vendas com pouco custo a mais.

Qual é a escala que o Atacadão ganha com esse negócio?

Durchon: O Atacadão já é a maior empresa de atacarejo do país. As lojas adquiridas vão se beneficiar disso e não podemos esquecer os resultados financeiros. Dentro do grupo Carrefour Brasil, o banco Carrefour representa 30% do resultado operacional. Vamos disponibilizar nas lojas compradas o nosso cartão Atacadão. Esse negócio vai ajudar o banco também. Serão 30 lojas a mais, um resultado adicional para o banco.

Qual é a representatividade do Atacadão no Carrefour Brasil?

Durchon: Hoje o Atacadão representa a maior fatia do faturamento e é o formato que proporciona mais lucro. Em 2019, o Ebtida (lucro antes de imposto, juro e amortização) foi de R$ 4,186 bilhões e mais da metade veio do Atacadão. É o modelo que mais cresce em número de lojas, mas todos os formatos do Carrefour estão crescendo muito, incluindo o e-commerce. Vamos manter o ritmo de abertura de lojas, investindo em todos os formatos.

Os recursos para a compra das 30 lojas do Makro sairão do total dos R$ 2 bilhões reservados pelo Grupo Carrefour para investir neste ano no país?

Durchon: A compra de 30 lojas do Makro não impacta o plano de investimento normal do grupo no Brasil. Boa parte do plano de expansão de 2020 (que prevê a abertura de 20 lojas da bandeira Atacadão, entre outros) está sendo executada. Se o Cade aprovar, vamos pagar um pouco menos de R$ 2 bilhões e financiar essa cifra com uma dívida adicional a ser contratada no mercado.

Os funcionários das lojas compradas serão mantidos?

Prioux: Vai depender muito do que será aprovado no Cade. Mas, com a reabertura da loja com a bandeira Atacadão, vamos precisar de funcionários e o plano é aumentar a venda. Não sei se serão os mesmos funcionários. Mas, com certeza, vamos manter um número muito alto de empregos. Para vender mais, precisamos de mais funcionários.

Por que o Carrefour não fez uma oferta para todas as lojas do Makro?

Prioux: O Makro não colocou tudo à venda. Eles vão focar em São Paulo. É uma boa estratégia. Para nós, é bom porque vamos poder consolidar outras lojas e expandir a operação pelo país, especialmente no Rio de Janeiro e no Nordeste, onde serão sete e oito lojas novas, respectivamente. Foi um bom acordo para os dois.

Qual é o desdobramento dessa compra no comércio online?

Prioux: O comércio online para nós é outra coisa. Não temos online para Atacadão. No futuro poderemos usar as lojas do Atacadão como centros de distribuição para as entregas do comércio online.

(Com Estadão Conteúdo)

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