A Charles Schwab, maior corretora de varejo dos Estados Unidos, zerou as taxas para algumas aplicações. Antes, quem investia em ações, opções e ETFs pagava US$ 4,95 por operação — agora, não haverá custo. A mudança também valerá para quem investe em ativos no Canadá.

Pode me contar um pouco mais sobre a Charles Schwab? A corretora tem mais de 12 milhões de clientes ativos e um patrimônio sob gestão de nada menos que US$ 3,7 trilhões  — valor que equivale a uma vez e meia o PIB brasileiro. Ela é a maior corretora independente (ou seja, não relacionada a um banco) dos Estados Unidos, o mercado de investimentos mais consolidado do mundo.

Não por acaso, a Charles Schwab é inspiração para o setor de corretagem independente no Brasil — a XP Investimentos sempre declarou abertamente ter se espelhado no modelo da gigante americana.

Por que a empresa tomou essa decisão? No mercado americano, é Davi quem está fazendo o Golias se mexer. O movimento é relativamente novo e partiu das concorrentes menores, como fintechs, mas parece ter vindo para ficar, o que significa que o mundo de taxa zero pode ser o novo normal do mercado.

O anúncio da Schwab vem apenas um mês após a decisão da Interactive Brokers Group de zerar a corretagem nos seus produtos. Antes, a novata Robinhood também tinha tomado decisão parecida.

O presidente executivo da Charles Schwab, Walt Bettinger, reforçou essa percepção: “Esse é o nosso preço. Não é uma promoção, não é pegadinha, ponto final”.

Em um comunicado, Charles Schwab, fundador e presidente do conselho da corretora, disse: “Desde o início, minha paixão tem sido tornar o ato de investir mais simples e mais fácil para todos. Eliminar taxas garante que meu objetivo seja realizado”.

Qual foi a reação do mercado? As ações das concorrentes despencaram. A Interactive Brokers, que se antecipou à Charles Schwab na política da taxa zero, viu seus papéis caírem mais de 9% nesta terça.

As concorrentes diretas, que continuam cobrando taxas (até mais caras) de corretagem, foram pior ainda. A TD Ameritrade perdeu um quarto do seu valor no pregão de hoje — foi a pior desvalorização em 13 anos. A E-Trade mergulhou mais de 16%, no pior dia desde a crise econômica de 2009.

A própria Schwab teve um dia negativo hoje. As ações da corretora caíram quase 10%, com o temor dos investidores sobre o impacto da isenção no caixa. A expectativa é que a empresa abra mão de aproximadamente 7% da sua receita anual, que atualmente é de US$ 10 bilhões.

Para as concorrentes, a equação é ainda mais delicada. Segundo o banco de investimento JMP, as taxas de corretagem representam 25% da receita anual da TD Ameritrade, e 16% da E-Trade. Caso elas sejam forçadas a abrir mão das tarifas, o impacto será bem mais significativo — o que explica o nervosismo de quem tem ações dessas companhias.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).