Cuidar dos filhos, da casa e trabalhar para alavancar o próprio negócio: essa é a realidade muitas mães que empreendem no Brasil, que se esforçam para tentar conciliar todas as atividades do dia a dia. A pandemia só dificultou as coisas. Fez com que muitas mães se reinventassem e mudassem até a forma como lidam com dinheiro.

Carol Oliveira é chef de cozinha, tem três filhos e uma enteada. Antes da pandemia, tinha dois buffets em Campinas (SP), mas logo nos primeiros 15 dias de isolamento social teve todos os eventos cancelados. Para conseguir continuar trabalhando, começou a focar em pratos para delivery e a cozinhar dentro de casa.

No dia a dia, equilibra a rotina dos filhos com o trabalho e diz que, apesar de gostar do que faz, a rotina é cansativa.

“A mãe quando resolve empreender precisa entender que faz o que pode. No começo eu me preocupava até com aquilo que o cliente vai pensar, mas depois de um tempo entendi que eu não vou ser 100%”, afirma Oliveira, que espera retomar em breve o faturamento do pré-pandemia e voltar a investir.

Para ela, o jeito de conseguir trilhar no caminho do empreendedorismo é acreditando em si mesma e sabendo que não vai ser tudo perfeito o tempo todo.

Silvia Honga é esteticista, tem dois filhos e é dona de um centro de estética na capital paulista. Os principais desafios para ela foram cuidar da própria agenda, conciliando tudo da rotina, e aprender a lidar com o planejamento financeiro do negócio.

‘’Na estética, preciso estudar sempre. Também sou mãe e dona de casa. Levou uns dois anos até eu conseguir me adaptar à rotina”, afirma Honga.

No Brasil, 61% das empreendedoras são mães, como Carol e Silvia, de acordo com uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora.

Como ser uma empreendedora de sucesso? Para Vivian Abukater, fundadora e sócia da rede Maternativa, as melhores dicas para ter sucesso e ter um negócio rentável e perene são: buscar conhecimento e ter pessoas próximas que motivem e ter uma rede de apoio como outras mulheres empreendedoras como exemplo.

“É importante lembrar que precisamos cuidar de quem cuida. Nós mesmas cuidarmos da gente para podermos estar bem para cuidar dos nossos filhos”, diz.

Uma saída para a crise econômica A pandemia tirou 1,3 milhão de mulheres do empreendedorismo, segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Abukater diz que apostar nas mães empreendedoras pode ser uma alternativa para aquecer a atividade econômica.

“O acesso a crédito parece mais distante para as mulheres. Elas investem o dinheiro e não tomam crédito. É importante saber que, quando a gente fala para ajudar mães empreendedoras, não é de assistencialismo, é uma questão econômica. O Brasil vai sair mais rápido da crise se ele apoiar mulheres”, afirma.

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