A Taurus, fabricante brasileira de armas, reportou seus resultados referentes ao segundo trimestre. Entre abril e junho, a empresa registrou um crescimento de 49% nas receitas, chegando a R$ 722 milhões. Apesar disso, o lucro líquido foi de R$ 39 milhões, uma queda de 10% frente ao mesmo período do ano passado.

A empresa, fundada no Rio Grande do Sul, registrou um aumento de vendas de armas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, seu principal mercado. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos e amortização) somou R$ 153 milhões, alta de 61% ante o primeiro semestre do ano passado.

Por outro lado, os impactos da desvalorização do real têm prejudicado o desempenho operacional da Taurus. A dívida, quase inteiramente cotada em dólar, saltou 15% desde o fim do ano passado, chegando a mais de R$ 1 bilhão. A empresa tem se esforçado para rolar parte desse passivo, principalmente o de vencimento no curto prazo, mas o efeito explosivo do câmbio tem preocupado os investidores.

Outro fator nebuloso no médio prazo é a relação dos candidatos à presidência dos Estados Unidos com a permissão para a posse de armas pelos cidadãos do país. Uma possível eleição da chapa democrata, chefiada por Joe Biden, poderia restringir as leis de compras de armas e munição, o que prejudicaria os negócios da Taurus. Frente a essa possível mudança, a venda de armamento no país tem aumentado às vésperas da corrida eleitoral.

“A demanda do consumidor norte-americano por armas cresceu de maneira acelerada no decorrer dos últimos meses face à incerteza gerada pela onda de manifestações no país e a insegurança causada pela pandemia. Isso traz resultados significativos para toda a indústria, uma vez que os EUA são o maior mercado mundial de armas”, disse a empresa brasileira, em comunicado.

As vendas no Brasil também avançaram, diante da flexibilização de regras de posse de armas para os cidadãos brasileiros habilitados. A Taurus vendeu 102 mil unidades de pistolas e outros modelos no primeiro semestre de 2020, valor que representa mais do que o dobro do volume vendido no mesmo período do ano passado.

No final de julho, a empresa havia sido proibida de participar de processos licitatórios para fornecimento de armas e munições para a Polícia Militar de São Paulo, a maior do país, em razão de falhas no funcionamento das armas que causaram mortes de policiais e de civis. No entanto, a Taurus disse que conseguiu reverter a penalidade no Tribunal de Justiça de São Paulo — outros estados ainda discutem punições similares.

Ações da Taurus

O risco da imposição de regras mais restritas para a posse de armas nos Estados Unidos, a dívida elevada e os processos enfrentados no Brasil estão deixando os investidores temerosos com o futuro da Taurus. Tanto as ações ordinárias (TASA3) quanto as preferenciais (TASA4) estão em queda, e registram baixa de mais de 6% nesta segunda-feira (dia 17).

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