A pandemia de coronavírus está obrigando comerciantes de roupas e sapatos a se reinventarem. Primeiro, eles tiveram de fechar as portas na maioria do país, já que não prestam um serviço essencial. Quase todos já podem funcionar, mas com várias restrições. Uma delas é a proibição de uso dos provadores, o que impede clientes de experimentar roupas e sapatos.

Para driblar essas restrições, pequenos e grandes comerciantes recriaram uma versão de sacoleiras, aquelas vendedoras que visitam os clientes em casa, levando uma malinha abarrotada de produtos para vender.

Como funciona? Para pedir uma bag — as antigas “malinhas” — clientes acionam vendedores e lojistas via redes sociais. Muitas vezes, os clientes são procurados pelos funcionários das lojas, pois já tinha seus contatos. Os interessados, então, respondem a uma série de perguntas sobre gostos e medidas, e dias depois, recebem em sua casa uma mala de roupas escolhidas de acordo com suas preferências, sem compromisso de compra.

“O nosso maior desafio é enviar um sortimento de marcas e produtos adequados de acordo com as preferências do cliente” afirma Melina Higa, proprietária da multimarcas infantil Hilu. “O cliente pode ficar com a bag por até dois dias, e assim fazer a compra no momento em que achar mais tranquilo e conveniente.”

O processo foi adotado pela maioria das lojas que aposta no método das sacoleiras. O eu muda é o tempo que a cliente pode ficar com a bag, que é avisado ao cliente no momento da solicitação.

Os produtos são higienizados entre uma cliente e outra? Sim. Durante a quarentena, especialmente, os cuidados com a higienização foram reforçados. “Borrifamos álcool em todas as peças, passamos a vapor e deixamos elas ‘de quarentena’ por 48h antes de ficarem disponíveis para outro cliente.” explica Daniele Albuquerque, dona da loja de vestuário feminino OhLalá!, de Recife.

Melina, da Hilu, segue o mesmo protocolo da colega de profissão, e reforça: “Embalamos os produtos, para ajudar no processo de conservação e higienização. A mala também é enviada com uma capa. Antes de sair de loja e quando chega de volta, higienizamos tanto a capa, quanto as embalagens com álcool 70%”.

Parcerias com shoppings. Anos antes da pandemia de coronavírus, Alexandre Abrahão reconheceu o potencial de venda das sacoleiras e fundou a UpperBag, loja multimarcas que trabalha exclusivamente com o envio de bags. Consolidado no mercado, Alexandre agora trabalha em parceria com shoppings da cidade de São Paulo, fechados no susto em março deste ano. “Queremos unir nossa plataforma de vendas, nossa logística, com os funcionários, estoque e clientes das lojas de shopping, que ficaram de certa forma desamparados desde o início da quarentena.”

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