A semana que passou foi repleta de divulgações de balanços financeiros de empresas brasileiras, e esses números, referentes ao segundo trimestre, mexeram com o mercado. Os resultados ruins dos bancos acenderam um alerta no mercado e deram sólidos indicativos de que a economia ainda está longe de ter uma retomada consistente. Já os balanços de empresas ligadas ao setor exportador e a alguns setores domésticos (como o de saúde) vieram até melhores que o esperado — com exceção da Embraer.

A maioria das companhias registrou queda nos lucros em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, mesmo nos segmentos em que o impacto foi grande, como no de shoppings, companhias que tiveram sucesso em reduzir despesas foram menos penalizadas na bolsa de valores.

Vamos aos principais números da semana:

Setor financeiro

Itaú: Assim como foi com o Bradesco e o Santander, na semana anterior, os números do Itaú deram um banho de água fria no mercado.  O maior banco privado do Brasil teve um lucro recorrente de R$ 4,2 bilhões, uma queda de 40,2% em relação a igual período do ano passado.

O tombo foi explicado pelas provisões para perdas com calotes, que quase dobraram em meio à crise decorrente da pandemia de coronavírus.

As notícias ruins não só fizeram com que as ações do Itaú caíssem 4,5%, como também derrubaram a bolsa de valores, dado o grande peso que os papéis do banco têm no Ibovespa. Na semana, o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,13%.

Banco do Brasil: Assim como os outros bancos, o BB registrou uma queda de 25% no lucro — talvez por ter tido um tombo menor que o do Itaú, Bradesco e Santander, as ações do BB foram menos penalizadas, com queda de 0,7% apenas. O volume de provisões contra inadimplência também aumentou 42% em relação ao ano anterior.

Banco Pan: Por ser um banco em crescimento, o Pan não sofreu tanto quanto os bancões. O lucro líquido chegou a R$ 144 milhões, o que representa uma queda de 16% em relação ao primeiro trimestre deste ano. No entanto, mesmo sendo uma instituição média, o Pan não escapou da necessidade de aumentar as provisões: as reservas para os calotes dos clientes aumentaram 29%. Os papeis do banco caíram 2,5% após o anúncio do balanço.

Banco BV: Especialistas em financiamento de veículos e em crédito para grandes empresas, o BV teve uma queda de 37% no lucro frente ao mesmo trimestre de 2019. Por estar mais exposto à inadimplência dos consumidores, o banco teve que aumentar em 61% a reserva para prejuízos esperados com calotes. As ações do BV não são negociadas em bolsa.

Exportadoras

Klabin: Apesar de ainda ter registrado um prejuízo no trimestre, a Klabin teve uma significativa melhora operacional. A empresa de papel e celulose registrou o melhor Ebitda (lucro antes de impostos e amortizações) da história, e a produção cresceu 14%. O empurrão veio do aumento da cotação da celulose no mercado externo. Após o anúncio, os papéis da empresa avançaram 1,8%.

Gerdau: Embalada pelo desempenho da China, a empresa teve uma alta de 43% no lucro, frente ao primeiro trimestre do ano. No entanto, a produção de aço da Gerdau foi afetada pela paralisação das fábricas no Brasil, em razão do coronavírus, o que afetou as receitas da siderúrgica. As ações da Gerdau caíram 2,4% após a divulgação do balanço.

Embraer: A fabricante de aviões foi o patinho feio nessa lista. A receita em seu segmento de aviação comercial, geralmente a maior e mais rentável, caiu 77% devido à pandemia do coronavírus. O acordo mal-sucedido de venda da unidade de jatos comerciais para a Boeing custou, pelo menos, R$ 500 milhões à empresa brasileira. Os papéis da Embraer caíram 1% depois do anúncio.

Setor de saúde

Notre Dame Intermédica: O grupo mais do que dobrou o lucro em relação ao último ano, principalmente por causa da queda na sinistralidade da carteira de clientes. Em função da pandemia, o número de procedimentos de saúde eletivos caiu, o que fez com que as despesas da operadora fossem menores. As ações da empresa tiveram leve queda de 0,2% após o balanço — mais influenciadas pela queda da bolsa do que pelo resultado em si.

SulAmérica: A seguradora registrou lucro líquido 91% maior que no ano passado. Assim como ocorreu com a Notre Dame, a sinistralidade da carteira da SulAmérica caiu mais de 10 pontos percentuais durante a pandemia, o que puxou o resultado operacional para cima. As ações tiveram ligeira alta após a divulgação do balanço.

Shoppings

Multiplan: A operadora de shoppings fechou o segundo trimestre com uma queda de 38% no lucro líquido. O resultado foi afetado pela paralisação temporária dos shoppings durante a quarentena, o que levou à concessão de descontos nos aluguéis dos pontos comerciais e ao aumento nas provisões para lojistas inadimplentes. Os papéis da administradora despencaram 3,4% após o anúncio.

Iguatemi: Assim como sua concorrente, o Iguatemi também amargou uma queda no lucro — -23% em relação a igual período de 2019. Por ter tido um prejuízo menor e por ter conseguido cortar despesas, as ações da operadora de shoppings subiram mais de 7% após o resultado, tendo desempenho de destaque.

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