O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revisou sua projeção para a inflação neste ano a 7,1%, de 5,9% antes, bem acima do teto da meta do Banco Central, de 3,75%. Já o Itaú projeta que o IPCA feche o ano em 6,9%.

Para o economista-chefe da instituição, Mario Mesquita, a situação é problemática, com pico superior a 9% no acumulado em 12 meses. “Até achamos que cai no fim do ano, mas para quase 7%, ainda bastante elevado e bem superior à meta perseguida pelo BC”, disse Mesquita.

O que está pressionando os preços? Segundo o Ipea, as taxas de inflação brasileiras seguem bastante pressionadas devido a uma combinação de aceleração de preços monitorados, inflação de alimentos e bens industriais em patamares elevados e movimento inicial de recomposição dos preços dos serviços.

O instituto destacou ainda em sua mais recente revisão que parte da alta da inflação já era esperada, mas problemas climáticos, o relaxamento do isolamento social e a retomada do emprego trouxeram pressões adicionais aos preços.

“As sucessivas altas das cotações das commodities no mercado internacional e os eventos climáticos adversos – a longa estiagem e a ocorrência de geadas em regiões de produção agrícola – surpreenderam negativamente e desencadearam novos aumentos de preços de alimentos e de energia”, disse o Ipea em sua Carta de Conjuntura.

Qual a previsão de inflação para 2022? O Ipea calcula alta do IPCA de 4,1%, contra objetivo de 3,50%. Já o Itaú estima um IPCA de 3,9% em 2022.

Em relação ao cenário para 2022, a perspectiva do Ipea é de uma certa acomodação, dado que a trajetória de alta dos juros pode ser um freio para o aumento dos preços.

“Para 2022, as expectativas estão ancoradas em uma acomodação nos preços internacionais das commodities e na baixa probabilidade de um fenômeno La Niña intenso, gerando, por conseguinte, menor pressão sobre alimentos, combustíveis e energia elétrica”, disse o Ipea.

“Os riscos à inflação em 2022 seguem associados aos preços das commodities e à taxa de câmbio”, completou.

Para o Ipea, as perspectivas para os próximos meses são de mais pressão, derivadas dos combustíveis e energia elétrica, além de alimentos e serviços.

“A perspectiva de continuidade de alta nos preços dos alimentos no mercado internacional, especialmente das proteínas animais, aliada à variação recente maior que prevíamos, elevou a projeção de alimentos no domicílio de 5,0% para 6,9%”, explicou o instituto.

O que o emprego tem a ver com a inflação? A recuperação do emprego aumenta o consumo, pressionando preços. “Adicionalmente, a recuperação do mercado de trabalho formal e o relaxamento das medidas de distanciamento social, em razão do avanço da vacinação, trouxeram, nos últimos meses, um maior dinamismo ao setor de serviços, gerando margem para uma recomposição de preços nesse segmento”, completou o Ipea.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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