O mercado imobiliário tem se mostrado um dos mais resilientes à crise do coronavírus. Isso talvez explique o interesse de tantas empresas por expandir seus negócios por aqui. Uma delas é o Grupo Lar, holding familiar espanhola, que desembarca oficialmente em São Paulo no próximo mês.

“Mesmo nos piores anos de crise, se lançou ou vendeu 25 mil unidades residenciais por ano na cidade de São Paulo, o que é muito significativo se comparado a outras capitais onde o Grupo Lar está presente”, conta Guilherme Carlini, diretor-geral da empresa no Brasil.

Após atuar exclusivamente no interior de São Paulo, a incorporadora agora vai focar sua atuação na capital paulista. Os primeiros lançamentos acontecerão no Brooklin e Alto da Boa Vista. O primeiro é voltado para o público com renda entre R$ 14 mil e R$ 30 mil mensais, enquanto o segundo mira compradores com rendimento de até R$ 10 mil.

Carlini conversou com o 6 Minutos para falar sobre os planos do Grupo Lar para o Brasil. Leia abaixo principais trechos:

Como a pandemia afetou os negócios da empresa no Brasil? Em um primeiro momento, a pandemia afetou todo mundo. Nossas vendas caíram para a mínima histórica. Mas, a partir de maio, começou uma recuperação forte. Em junho e julho, vendemos a mesma coisa que no ano passado. A gente tinha previsão de fazer vários lançamentos neste ano, mas foram postergados para 2021.

O que é que vem puxando essa recuperação? A preocupação em morar bem nunca foi tão grande. Nunca fiquei tanto tempo na minha casa. Hoje, moro no meu escritório, que é minha casa. Além disso a taxa de juros está no menor patamar da história, o que é diretamente proporcional ao apetite por entrar no mercado imobiliário. Mesmo quem não precisa está considerando comprar imóvel como investimento. Hoje, mesmo mal alugado, o retorno do imóvel ganha do CDI. E quem precisa comprar nunca encontrou condições tão fáceis de financiamento.

A pandemia não alterou os planos do grupo? Agora não é o momento de ficar no interior? Sentimos aumento de vendas do nosso estoque no interior. Temos um empreendimento de casas 100% construído e havia 50 unidades em estoque. Vendemos tudo, a velocidade de compra desses imóveis aumentou. Mas não muda os planos para São Paulo. Enxergamos isso mais como uma reação imediata ao momento que estamos vivendo e não como longo prazo, de algo que vai se estabelecer para sempre. As grandes cidades vão continuar sendo procuradas por pessoas que querem ter uma vida profissional e social mais ativa.

Mas o desejo de moradia agora inclui outros itens. O que vocês fazem nesse sentido? Nossa proposta vai nesse sentido, de uma habitação contemporânea que ofereça o mesmo conforto e qualidade dos imóveis que comercializamos na Europa. Queremos trazer os mesmos atributos de qualidade de vida, mas para viver dentro da cidade de São Paulo. Não imagino um decréscimo de vendas em São Paulo e uma migração em massa para o interior.

E o que é essa proposta exatamente? O que tem de diferente? Temos uma preocupação grande com iluminação. Queremos trazer mais luz para dentro do apartamento, preferencialmente iluminação natural. Nossas janelas são maiores, temos aberturas maiores. Porque ninguém gosta de morar em local com pouca luz.

Outra diferença é nosso térreo. Eles são mais parecidos com lounges e lobbys de hotel do que simplesmente com um hall social, um local de passagem. Temos uma preocupação em proporcionar uma vida comunitária dentro dos nossos empreendimentos.

Que lançamentos são esses de outubro? O do Brooklin fica a 250 metros do metrô. São apartamentos de dois e três dormitórios, com 69 e 86m², com janelas enormes, obscenas de tão grandes. O do Alto da Boa Vista tem unidades de 37 a 40m², sem vaga de garagem, com uma proposta mais urbana, mais compacta. Fica praticamente em cima do metrô.

Qual o preço? Os apartamentos da linha La Casa, os maiores, custam entre R$ 450 mil e R$ 1 milhão.

Onde serão os lançamentos do próximo ano? Serão em barros como Vila Mariana, Perdizes, Campo Belo. Focamos nos melhores bairros e com boa infraestrutura urbana.

Vai dar para fechar o ano com crescimento nas vendas? Não, por causa da pandemia. A previsão é de que vamos vender mais no segundo semestre deste ano do que do ano passado. Mas o ano será afetado pela pandemia.

Guilherme Carlini, diretor-geral do Grupo Lar no Brasil
Crédito: Dvulgação

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