Um resultado decepcionante. Foi assim que a própria direção da Hering classificou o desempenho da companhia no quarto trimestre. Referência no setor de confecções, a empresa iniciou há um ano um processo de reestruturação do seu negócio.

Com receita de R$ 502 milhões no quarto trimestre — queda de 5% em relação ao ano anterior, de acordo com os resultados preliminares divulgados na véspera –, a empresa viu suas ações (HGTX3) caírem 12,6% na B3. Só na terça-feira, 21, a Hering perdeu mais de R$ 600 milhões em valor de mercado.

O que diz a companhia? Depois da Black Friday, a Hering demorou a reagir diante de uma mudança do comportamento de clientes, especialmente do público feminino, que compram presentes para as festas de fim de ano. “Muitas empresas tiveram uma proposta de valor mais agressiva”, disse o diretor de operações e filho do presidente, Thiago Hering, citando produtos mais baratos, de R$ 20 a R$ 30, oferecidos pela concorrência.

Mas as vendas do fim do ano importam tanto assim? Para a Hering, sim. Representam 66% das vendas do quarto trimestre e 22% dos resultados do ano. A empresa fechou o ano com faturamento de R$ 1,8 bilhão, alta de 0,5% sobre o ano anterior, segundo dados preliminares. O balanço financeiro completo da companhia sairá em março.

O momento da Hering: A companhia completa 120 anos em 2020, e começou uma transformação recentemente. A rede tem apostado em um conceito de integração de todas as marcas em um canal único de venda. Mas o resultado tem ficado aquém do esperado. No quarto trimestre, as vendas no canal de multimarcas, que inclui a própria Hering,  Dzarm e PUC, por exemplo, caíram 13%.

Mesmo informando que janeiro começou ainda “um pouco desafiador”, a Hering tem mantido sua aposta de recuperação. “Apesar dos problemas pontuais, acreditamos que nossa estratégia de transformação seguirá igual”, disse Fábio Hering.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.