Por que o GPA, dono do Pão de Açucar e Extra, voltou a utilizar o Rappi para fazer entregas de compras por aplicativo? Para quem não se lembra, a companhia foi parceira do Rappi até 2018, ano em que comprou a plataforma de entregas James Delivery. A partir daí, o GPA rompeu com o Rappi e passou a utilizar apenas o James para entregas das compras por app.

Na divulgação dos resultados do quarto trimestre, o GPA avisou que abriria esse serviço para novos parceiros. “O mercado ficou competitivo com muitos investimentos no setor e mudamos nossa estratégia. Estamos indo para outras plataformas, além do James”, disse Jorge Faiçal, atual CEO do GPA, na teleconferência com analistas.

O que mudou desde 2018? Naquela época, o GPA considerava essencial que as informações de compra dos clientes dos apps ficassem dentro do grupo. A utilizar parceiros externos de entrega, a companhia entendia que perderia dados essenciais de compras dos usuários.

Só que a venda online de supermercado explodiu, principalmente após a pandemia de coronavírus. E o James Delivery está longe de ter uma cobertura nacional – está em 32 cidades, enquanto o Rappi tem presença em 100 municípios.

“Operar uma plataforma de last mile, como o GPA fez com o James, requer uma atenção grande e investimento alto para expandir a operação, conquistar novos clientes e atuar em mais cidades. É preciso ter um ganho de escala e fazer um investimento pesado para ganhar esse jogo”, diz Eduardo Yamashita, diretor de operações da consultoria de varejo Gouvêa Ecosystem.

O que esse movimento indica? Para Yamashita, a abertura do GPA para outros apps de entrega mostra que a companhia vai focar no que interessa para seu negócio, que é ampliar sua participação na venda física e online de alimentos, bebidas e outras categorias. “O GPA está abrindo seu ecossistema ao invés de fechá-lo com uma operação própria. E para isso vai usar a força das outras plataformas já consolidadas ao invés de criar sua própria.”

O que diz o GPA? Em nota, o GPA informou que o principal pilar da sua estratégia digital é ‘estar onde o cliente estiver’. “O GPA acompanhou os movimentos de mudanças de comportamento dos consumidores e decidiu aprimorar sua estratégia digital com o objetivo de ampliar as opções de compra para seus clientes. Com isso, além do James, o GPA começa a fechar acordos com outros aplicativos para entrega dos produtos vendidos online”, disse.

A ampliação vai se restringir ao Rappi? Não. Outras parcerias de entrega serão assinadas. “O GPA entende que ser uma plataforma colaborativa, aberta a testar novos modelos de negócio e modais de venda fazem parte do caminho a ser percorrido para atender o cliente onde ele quiser, da maneira que ele preferir e na hora que ele desejar.”

Como o Rappi encarou o retorno ao GPA? Luiz Tavares, diretor de supermercados, farmácias e bebidas do Rappi, diz que o aplicativo nunca quis sair do GPA. “Quem saiu foi o GPA, que por escolha própria escolheu outro caminho. Nunca foi desejo do Rappi romper essa relação. Agora o Pão está voltando para o nosso ecossistema e estamos recebendo-o de braços abertos, como se fosse a primeira vez.”

E como fica a relação Rappi com Carrefour? O Rappi continua sendo parceiro de entregas do Carrefour, mas não o único. O Carrefour está presente também nos apps da Americanas, iFood e Cornershop. Da mesma forma que o Rappi faz entregas para outros concorrentes, como Big e Dia.

“Aprendemos muito neste tempo, estreitamos nossa relação com o Carrefour e fizemos grandes conquistas. Ficamos cada vez mais colaborativos, integrados”, afirma Tavares.

Qual o tamanho desse mercado de aplicativos que fazem aúltima milha para o varejo alimentar? Não existem números oficiais, mas Paulo Ferezin, sócio-líder de varejo, alimentos e bebidas da KPMG, estima que esse segmento movimente cerca de R$ 300 milhões por ano no país.

Quem vai sair ganhando? Ferezin diz que o tempo de entrega se tornou fator importantíssimo na hora de decidir a compra. “Até pouco tempo atrás, o cliente aceita esperar dias para receber sua entrega em casa. Hoje, isso se tornou inadmissível. Ele quer comprar e receber no mesmo dia, pois sabe que tem empresas que entregam em três horas.”

O Rappi, por exemplo, está testando entregas de itens de conveniência em até 10 minutos em algumas regiões. “Queremos expandir isso para todo o país”, diz Tavares, do Rappi.

Para o diretor do Rappi, a vantagem estará com quem melhor conseguir replicar a experiência da loja física no mundo digital. “O consumidor tem que sentir que está no mesmo lugar, encontrar suas promoções preferidas.”

Quem ganha a briga, a compra online ou física? Ferezin diz que os dois canais de venda continuam importantes na vida do consumidor. Tem gente que prefere economizar tempo e por isso dá preferência às compras online. Mas aqueles que querem ir até a loja para experimentar e escolher. “Sou um otimista de que esse mercado vai continuar crescendo, mas que em determinados momentos o cliente vai navegar pelos dois canais e continuará exigindo entrega rápida e qualidade.”

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).