Quem nunca se comoveu com a carinha de um cachorro ou um gato com olhos brilhantes e cabeça inclinada, pedindo comida, que atire a primeira pedra. Nessa pandemia, momentos como esses se multiplicaram, pelo simples fato de que estamos passando muito mais tempo em casa ao lado dos nossos animais de estimação.

Essa convivência maior vem se refletindo no aumento expressivo das vendas de sachês e rações úmidas para pets.

De acordo com dados da Cobasi, segunda maior rede do país em vendas de produtos para o setor, a receita com esses alimentos disparou 50% no ano passado. A Petlove, focada na venda de assinaturas de produtos pela internet, viu uma alta ainda maior, de 100%.

Há algumas explicações para esse crescimento. Uma delas é mesmo que as pessoas estão ficando mais em casa. “Antes era comum os tutores colocarem a ração seca no pote do pet, saírem para trabalhar e colarem novamente quando chegavam. Hoje, com a maior convivência, o tutor quer oferecer a ele alimentos que consideram mais gostosos, como ração úmida e petisco”, aponta Fausto Pereira, gerente comercial da Cobasi.

De acordo com ele, a venda de petiscos também subiu 30% na comparação com 2019. A categoria brinquedos cresceu 40% e acessórios (roupas, camas, cobertas e bebedouros) se expandiu 25% na rede.

Esse movimento é similar ao observado pela Petlove, que atribui o crescimento também ao fato de que os donos de pets vêm percebendo os benefícios da ração úmida.

“Na minha opinião, a principal causa desse crescimento é que a ração úmida é mais palatável quando comparada com a ração seca, pois inclui água, elemento essencial principalmente para felinos, que tendem a beber pouca água”, explica Marcio Waldman, fundador da plataforma. “Outro motivo, é a praticidade na hora de oferecer a quantidade correta por dia para cada pet, pois esses alimentos são balanceados quando comparados com a ração caseira”.

Um mercado em crescimento

Há uma outra razão para o aumento nas vendas de sachês e produtos para pets em geral, que é a expansão acelerada desse mercado no Brasil. O país já tem mais de 40 mil lojas de pets, que faturaram juntas cerca de R$ 40 bilhões no ano passado.

Em relação a 2019, a alta foi de 13,5%, segundo dados do IPB (Instituto Pet Brasil).

Esse mercado vem crescendo pois, cada vez mais, o animal de estimação vem sendo considerado pelo brasileiro um membro da família. Além disso, as adoções de pets foram impulsionadas pela pandemia: cada vez mais, as pessoas vêm percebendo que a companhia de bichinhos faz bem para a saúde mental.

Esse foi um setor que acabou não sofrendo tanto com a pandemia, já que petshops foram considerados serviços essenciais e por isso foram autorizados a funcionar mesmo nas fases mais rígidas de isolamento social.

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