Em leilão encerrado em 7 de agosto, a Gooding & Co. vendeu uma Ferrari 275 GTB modelo 1966, cor de areia de praia branca, por US$ 3,08 milhões. Ainda mais inacreditável: a transação foi feita online. O cupê com engenharia exclusiva liderou a soma mais cara já paga por um carro vendido pela Internet.

Um preço tão alto por um carro que não foi realmente visto pessoalmente é um indicador perspicaz da saúde relativa do mercado de carros de colecionadores em meio à Covid-19. Mas não é uma surpresa.

“Acho que este carro é à prova de vírus no sentido de que é um 275 realmente excepcional. É basicamente um carro totalmente original com um interior original, muita pintura original e propriedade de longo prazo”, disse David Gooding, presidente e CEO da casa de leilões, em entrevista antes da venda. Fiel ao critério da casa de leilões, a Gooding & Co. não quis identificar a pessoa que comprou o veículo. “É especial com ou sem pandemia.”

De fato, as melhores Ferraris estão se saindo muito bem no mundo da pandemia: responderam por quatro dos cinco principais lotes do leilão da Gooding e por seis dos dez melhores resultados do evento “Driving into Summer” da RM Sotheby em maio, quando uma Ferrari Enzo 2003 foi vendida por US$ 2,64 milhões – até a semana passada, o preço mais alto pago por um carro em um leilão online.

Três dos 10 carros mais vendidos em um leilão online da Barrett-Jackson em julho foram Ferraris, uma anomalia crítica para uma empresa conhecida quase exclusivamente por vender “muscle cars” americanos e caminhões rústicos.

Os resultados enviaram uma clara mensagem positiva para todos colecionadores e entusiastas do setor que se perguntavam se os eventos cancelados de verão seriam mantidos em formato online – especialmente para carros colecionáveis de elite e perfeitos, como Aston Martins de corrida, Jaguars e Ferraris de corrida.

“Há um kevlar blindado protegendo o 1% que se importa com essa paixão por carros”, diz Steve Serio, corretor de automóveis dos ricos e famosos.

“Veículos acima desse ponto de US$ 100 mil – pense em carros vendidos em Pebble Beach – ou partes da economia não tão intimamente ligadas à indústria do petróleo [verão] pouca mudança”, disse John Wiley, da Hagerty, em relatório recente sobre os efeitos do novo coronavírus no mundo dos colecionadores.

Ao todo, mais de US$ 70 milhões em carros clássicos e colecionáveis foram vendidos online pelas principais casas de leilão do mundo desde o início da pandemia.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).