Óleo de soja por R$ 3,99. Cinco quilos de arroz por R$ 4,99. Uma caixa de Omo por R$ 4,49. Preços baixos como esses vêm atraindo milhares de consumidores para o aplicativo de compra coletiva Facily.

A empresa não divulga o número de usuários, mas o total de queixas nos sites de reclamações dá uma ideia dessa grandeza. Em julho, eram 17 mil queixas no Reclame Aqui, a maioria por falta de entrega de produtos.

Mas esse fundo do poço parece que começa a ficar para trás. Edu Neves, diretor-executivo do Reclame Aqui, diz que o número de queixas continua alto, mas que os indicadores de solução de problemas e de consumidores que voltariam a fazer negócio são sinais de que houve algum tipo de melhora no atendimento do cliente.

“Em julho, era 17 mil reclamações e 42% dos clientes voltariam a fazer negócio com o app. Em agosto, o número de reclamações sobe para 21 mil, parece muito, mas deu uma desacelerada. Esse número vinha dobrando mês a mês. E o índice de pessoas que voltaria a comprar deles sobe para 50%”, afirma Neves.

Essa melhora prosseguiu em setembro. “O total de reclamações sobe para 32 mil, mas a taxa dos que voltariam a fazer negócio com o app sobe para 70%. Isso mostra que a rejeição caiu bastante. É um indicador que a pessoa teve problema, mas voltaria a comprar. Muito provavelmente eles melhoram o atendimento ao cliente”, diz Neves.

Outro indicador de desempenho positivo é o de solução de queixas, que atingiu 89% em setembro. “Fiquei impressionado com esse número, que é a maior que a média geral das 500 mil empresas acompanhadas no Reclame Aqui, que é de 78% a 80%. Eles estão com 89% de solução, mostra um esforço muito grande para não gerar estresse no cliente”, afirma Neves.

Mas por que tantas pessoas procuram o Facily?

O preço baixo, com certeza, é o principal atrativo. A autônoma Mariana Oshiro, mãe de duas meninas, compra no Facily desde fevereiro. Apesar de já ter tido problemas com algumas entregas, ela vê vantagens no aplicativo.

Comecei a comprar porque vi várias pessoas falando do aplicativo, postando nos grupos de WhatsApp a mensagem de ‘compre junto’. Eram preços muito atrativos, com descontos de 50% em relação ao do supermercado. Com tudo tão caro, a gente acaba buscando o que que compensa mais”, afirma Mariana.

Ela teve medo de usar o aplicativo? Sim, mas recebeu recomendações de compra de pessoas próximas. “Lógico que no começo dá receio de comprar, ainda mais porque hoje em dia tem muito golpe. Mas uma conhecida me disse que família toda comprava no app e, que apesar da demora, os produtos chegavam. Ela ter falado que teve uma boa experiência fez diferença.”

Entre os produtos que a empresária considera vantajosos estão o leite condensado e o leite longa vida. “Já paguei R$ 3,50 por leite condensado que custa R$ 6. E já achei leite longa vida por R$ 1. Aqui em casa, tomamos muito leite.”

Mariana já teve problemas com o app? Sim. “Tem produto que compramos há mais de 3 meses e não entregaram. O atendimento ao cliente é péssimo. Ouvi de outras pessoas que eles demoram demais para resolver. Mas de vários pedidos que fizemos, só um não chegou. Por isso, ainda consideramos vantajoso comprar lá”, conta.

Como comprar no Facily?

A ideia é que o consumidor compre em grupo e retire o pedido em um ponto de entrega. O Facily não entrega na casa do consumidor. Esses pontos de entrega podem ser a casa de pessoas físicas ou estabelecimentos comerciais.

Os descontos são maiores para quem compra em grupo. Uma das saídas para montar um grupo é comprar com amigos, parentes e vizinhos. Às vezes, dá para montar grupo de apenas duas pessoas.

Procurada, a empresa não quis falar sobre essa nova fase de redução de reclamações.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).