Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar registrou fortes perdas em relação ao real pela segunda sessão consecutiva nesta quarta-feira, derrubado pela expectativa de juros mais altos no Brasil e por algum alívio fiscal após acordo no Congresso para fatiar a PEC dos Precatórios, refletindo ainda a redução de temores sobre a variante Ômicron do coronavírus.

O dólar negociado no mercado interbancário fechou em queda de 1,49%, a 5,5364 reais na venda, seu menor patamar para encerramento desde 17 de novembro (5,5264) e pior desempenho diário desde 11 de novembro (-1,80%). Na véspera, a moeda já havia registrado queda de 1,27%.

Na B3, às 17:11 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,44%, a 5,5645 reais.

Ao fim de sua reunião de política monetária de dois dias, que se encerra nesta quarta-feira após o fechamento dos mercados, o Banco Central deve anunciar alta da taxa Selic para 9,25% ao ano, ante atuais 7,75%, de acordo com pesquisa da Reuters com economistas.

Juros mais altos no Brasil elevam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, o que tenderia a atrair mais recursos estrangeiros para o país, aumentando a demanda pela moeda local.

“A alta da Selic para quase dois dígitos, se confirmada, formará inevitavelmente um bom colchão para o real”, disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital.

Embora haja amplo consenso no mercado sobre a magnitude do ajuste de política monetária desta quarta-feira, há dúvidas sobre o que será sinalizado pelo BC em seu comunicado, já que sinais recentes de desaceleração da atividade econômica poderiam levar a autarquia a diminuir a dose da alta de juros em suas próximas reuniões.

Após dados desta quarta-feira mostrarem queda inesperada nas vendas no varejo em outubro, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, disse no Twitter que a leitura poderia reforçar expectativas de desaceleração do ritmo do aperto monetário. “O comunicado do Copom será importante, a inflação precisa ser controlada, mas a calibragem de fim de ciclo também deve entrar no balanço.”

Enquanto isso, participantes do mercado comemoravam a maior previsibilidade na frente fiscal após anúncio de acordo em torno do fatiamento da PEC dos Precatórios. O Congresso Nacional convocou oficialmente sessão conjunta para a tarde desta quarta-feira para a promulgação dos trechos da proposta em que houve consenso entre Senado e Câmara.

O acordo garante o espaço fiscal para pagamento do Auxílio Brasil, uma vez que a lista de temas de consenso entre as duas Casas já inclui a mudança no prazo de correção do teto de gastos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Alexandre Almeida, economista da CM Capital, disse à Reuters que o “fatiamento trouxe um pouco de alívio; mostra que a tramitação no Congresso está andando e gera um pouco de calmaria” depois de um longo período de incertezas sobre como o governo federal faria para financiar seu programa de auxílio financeiro à população.

O cenário internacional, por sua vez, também amparou o real nesta sessão, em meio a alívio de temores sobre o impacto econômico e sanitário da variante Ômicron do coronavírus. Nesta quarta-feira, as farmacêuticas BioNTech e Pfizer disseram que uma série de três doses de sua vacina contra a Covid-19 foi capaz de neutralizar a nova cepa em um teste laboratorial.

Às 17:11 (horário de Brasília), o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas– caía 0,399%, a 95,899.

Com o desempenho desta quarta-feira frente ao real, o dólar acumula agora alta de 6,64% no acumulado de 2021. A poucas semanas do final do ano, “qualquer oscilação da moeda que vai em direção à faixa de 5,50/5,60 reais está condizente com as expectativas de mercado”, disse Bergallo, da FB Capital.

A mais recente pesquisa semanal Focus do Banco Central projetava taxa de câmbio de 5,56 reais por dólar ao fim deste ano.

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