Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) – O banco central do Japão deve oferecer uma visão um pouco mais sombria sobre as exportações e a produção neste mês, ou alertar sobre os riscos crescentes de interrupções no fornecimento causadas por fechamentos de fábricas no Sudeste Asiático, disseram fontes familiarizadas com o pensamento do banco.

A avaliação mais negativa, combinada com o consumo mais fraco do que o esperado em agosto devido às restrições do coronavírus, pode lançar dúvidas sobre a perspectiva do banco de que a economia está em curso de uma recuperação moderada, conforme se prepara para a reunião de política monetária de 21 e 22 de setembro.

“Embora a demanda externa continue forte, o choque de oferta do Sudeste Asiático amorteceu de forma inesperada a produção”, disse uma fonte familiarizada com o pensamento do banco, opinião compartilhada por outras por três fontes. As fontes não puderam ser nomeadas porque não estavam autorizadas a falar publicamente.

“Os riscos para a economia aumentaram”, disse uma segunda fonte, alertando em relação à incerteza sobre quando as interrupções na cadeia de suprimentos serão resolvidas e quanto tempo levará para a economia sair totalmente de seu marasmo da pandemia.

Em sua última avaliação feita em julho, o Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) descreveu as exportações e a produção como “continuando a aumentar de forma constante”.

Na reunião de setembro, o banco central pode mudar essa perspectiva mencionando como a produção, em particular, está temporariamente enfraquecendo devido às restrições de oferta, disseram as fontes.

O Conselho do BOJ também debaterá na reunião se os dados fracos recentes justificariam rebaixar sua avaliação da economia ante visão atual de que está “em tendência de acelerar”, disseram as fontes.

A maioria das autoridades do banco central do Japão não vê necessidade de alterar sua perspectiva de longo prazo de que a economia se recuperará no próximo ano até 2023, conforme a pandemia diminuir, e espera que a sólida demanda mundial sustente as exportações, disseram.

Mas há um alarme crescente dentro do banco de que o início da recuperação do Japão pode ser atrasado, com os gargalos de oferta e as restrições prolongadas relacionadas à pandemia pesando sobre a frágil economia, acrescentaram.

(Por Leika Kihara; reportagem adicional de Takahiko Wada e Kentaro Sugiyama)

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