A pandemia de coronavírus afetou a preocupação dos brasileiros com a qualidade da comida. O home office, adotado por milhares de pessoas neste período, também impactou a forma como as pessoas se alimentam. O interessante é que a relação dos consumidores com a comida foi mudando ao longo da quarentena, segundo dados da pesquisa Alimentação na Pandemia, realizada pela Galunion, consultoria para food service.

O que mudou nesse comportamento em relação à comida? A pesquisa identificou três ondas diferentes, dependendo da fase em que as pessoas vivenciavam a pandemia:

  • Primeira onda (abril): as maiores preocupações eram com as questões de higiene e saúde. As causas relacionadas à solidariedade, como ajudar restaurantes, comunidades, médicos estavam bem fortes.
  • Segunda onda (maio): os consumidores estavam sentindo muita falta de sair de casa, de comer o prato preferido, de se socializar. O fator preço passou a ser importante, porque as pessoas ficaram preocupadas com a perda de emprego e redução de renda.
  • Terceira onda (julho): com a reabertura dos restaurantes, as questões ligadas a saúde e higiene voltaram a ganhar mais importância. A preocupação com a renda se manteve presente.

Como o home office afetou a alimentação? As pessoas passaram a comer mais a comida preparada dentro de casa. “Esse hábito que deve se manter forte mesmo depois da volta ao trabalho presencial: a grande maioria vai levar a marmita feita em casa”, diz Simone Galante, CEO da Galuinion.

Mas não é só a marmita feita em casa que ganhou relevância. A comida caseira vendida e entregue em casa e no serviço continuarão presentes no dia a dia das pessoas.

Isso deve se manter? Simone diz que tudo indica que sim. De acordo com a pesquisa, 50% dos entrevistados acreditam que continuarão trabalhando de casa até o fim do ano.

Mas o que as pessoas comeriam na volta ao trabalho presencial? Aqui mais uma surpresa: as pessoas vão continuar comendo a comida caseira. As que não levarem marmita, vão comprar comida caseira prontas ou retirar nas imediações. A maioria vai evitar sair para comer na rua, preferindo fazer a refeição no local de trabalho. Adeus saidinha!

E o que muda com o fim da pandemia? A maioria (53%) não vai frequentar restaurantes por medo do coronavírus. Mas se o restaurante for em local aberto, 42% se dizem dispostos a frequentá-lo. Outros 47% veem a possibilidade de comprar comida pronta e comer em casa com convidados.

Que oportunidades esses números mostram? Simone diz que o setor vai continuar sofrendo com a queda de renda dos consumidores e com a mudança de hábito na refeição do trabalho. “Uma parcela grande vai continuar com medo e não vai ir ao restaurante. O recado do consumidor é que para o dono do restaurante não abrir mão da qualidade, que invente pratos mais baratos e mais gostosos, que invista em hospitalidade e segurança e crie maneiras de atende-lo em casa”, afirma a CEO.

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