A crescente demanda por veículos elétricos e os desafios para a obtenção de matérias-primas podem encolher a oferta de baterias para montadoras, que já enfrentam uma crise na indústria de semicondutores, de acordo com um importante fabricante chinês.

“Quando a falta de chips for resolvida, a maior escassez a ser enfrentada pela indústria será de baterias”, disse Yang Hongxin, presidente do conselho da SVolt Energy Technology, que fechou um acordo com a montadora Stellantis. “A capacidade de produção de células de bateria será limitada nos próximos anos, porque a expansão leva tempo”, disse em entrevista.

Montadoras globais aceleram a produção de modelos elétricos na esteira da queda dos preços das baterias e prazos dos governos para a eliminação gradual das vendas de carros novos com motor a combustão para ajudar a cumprir metas climáticas. A demanda por baterias de íon-lítio para em transporte e armazenamento de energia aumentará para até 5,9 terawatts-hora por ano em 2030, pressionando as cadeias de suprimentos, segundo o relatório anual New Energy Outlook da BloombergNEF publicado na quarta-feira.

Se não houver produtos de lítio, folhas de cobre e alguns materiais de cátodo suficientes, a indústria de baterias pode ter dificuldade de atender à demanda, de acordo com Yang. Os altos preços das matérias-primas podem não desacelerar antes do segundo semestre do próximo ano e “a pressão sobre os preços terá que ser compartilhada ao longo da cadeia de suprimentos”, disse.

Todos os principais metais usados em baterias registraram aumento dos preços no último ano. Na China, o custo do carbonato de lítio mais que dobrou. A alta dos preços do sulfato de cobalto indica um gargalo na produção da matéria-prima, segundo a BNEF.

“As baterias podem ser o próximo componente de veículos elétricos a enfrentarem uma potencial escassez”, disse Dennis Ip, analista da Daiwa Capital Markets, em Hong Kong. Os materiais de lítio podem registrar déficit nos próximos dois a três anos, um fator que potencialmente aumentaria o custo de um veículo elétrico, afirmou.

A SVolt, que tem sede em Changzhou e é resultado de uma cisão da montadora Great Wall Motor, busca aumentar a exposição à produção de lítio e estuda possíveis alvos, como minas e operações em lagos de sal na China, disse Yang.

A empresa planeja forte expansão em fabricação e tem uma meta de capacidade de mais de 200 gigawatts-hora até 2025 em relação a pouco menos de 1 gigawatt-hora em 2020. Isso se compara às propostas de Contemporary Amperex Technology, líder do setor, de elevar a capacidade para 550 gigawatts-hora, incluindo projetos conjuntos, no mesmo prazo, de acordo com dados do BNEF.

A SVolt anunciou quatro novos projetos de expansão no valor de cerca de US$ 4,6 bilhões desde o início do ano, incluindo uma instalação de 2 bilhões de euros (US$ 2,4 bilhões) na Alemanha que será a primeira fábrica da empresa na Europa. A SVolt também avalia abrir até duas outras bases de produção na China, disse Yang.

A empresa mantém os planos de listagem no conselho Star da bolsa de valores de Xangai no final de 2022 ou início de 2023, disse Yang.

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