A Play9, estúdio de conteúdo de Felipe Neto e João Pedro Paes Leme, lançou na semana passada a Plataforma 9Block, de tokens não fungíveis (NFT). Em entrevista para o 6 Minutos, Paes Leme fala sobre como o projeto pretende democratizar a criação e a venda dos tokens que transformam artes digitais em ativos financeiros. Os primeiros NFTs da 9Block estarão disponíveis para compra a partir do dia 27.

“A democratização da informação já é o primeiro passo para o acesso aos NFTs. Existe uma dificuldade de compreender o básico muitas vezes, o que leva a conclusões equivocadas. A nossa ideia é possibilitar que as pessoas possam primeiro compreender o que é um token não fungível e o que isso significa dentro da economia”, disse ele.

Leia abaixo a entrevista:

Muita gente ainda fica confusa sobre o que são e para que servem os tokens não fungíveis. Como a 9Block pretende apresentar o mundo dos NFTs para o público leigo? 

A gente vai aproveitar o poder de comunicação dos próprios influenciadores. A democratização da informação já é o primeiro passo para o acesso aos NFTs. Existe uma dificuldade de compreender o básico muitas vezes, o que leva a conclusões equivocadas. A nossa ideia é possibilitar que as pessoas possam primeiro compreender o que é um token não fungível e o que isso significa dentro da economia. Depois, pensar no valor que isso tem para a própria pessoa que está entrando nesse universo.

Qual será a faixa de preço dos primeiros lançamentos? 

A primeira arte foi lançada por R$ 100. São seis artes na primeira coleção do Felipe [Neto] em um mesmo universo temático. A cada três dias vão ser revelados o valor e a quantidade de cada um dos próximos pacotes, mas também vão ser acessíveis.

As compras poderão ser feitas por quais meios de pagamento?

No dia 27, às 10h, quando abrirem às vendas, todas as formas de pagamento já vão estar disponíveis. [Além das criptomoedas bitcoin (BTC), litcoin (LTC) e ether (ETH), os usuários poderão realizar transferências por meio de cartão de crédito ou Paypal]. Essa foi mais uma maneira de democratizar o acesso, porque se a gente usasse só criptomoedas, seria mais uma barreira de entrada para o público.

Além das artes do Felipe Neto, que outros criadores terão seus trabalhos comercializados?

Os próximos nomes só serão revelados no dia 27, mas vão seguir dois pilares: o primeiro são os influenciadores digitais que têm um universo temático próprio, como o Felipe com o mundo Minecraft. Eles vão transitar entre os universos pop, geek e nerd. Gamers serão muito bem-vindos. O outro ponto são artistas que tenham esse viés das artes digitais e estejam dispostos a criar NFTs. O que vai ser mais uma frente de popularização, porque pessoas anônimas vão poder expor seu trabalho ao lado de grandes influenciadores digitais.

Como o negócio deve se sustentar sem a cobrança de taxas?

Ele foi pensado com uma divisão entre o criador e a plataforma. Ou a gente absorve parte da criação da NFT como arte ou o estúdio de conteúdo da Play9 faz a arte para o criador e fica com uma parcela maior. Essa participação pode ser um fee [valor combinado para que seja realizado um serviço] ou um percentual nas vendas.

O mercado de NFTs teve uma queda de 90% na procura, segundo análise do Protos. Qual é a estratégia para a manutenção da 9Block para além da fama inicial dos tokens?

A gente viu o mesmo fenômeno acontecer com as criptomoedas lá atrás. Uma bolha que explodiu, voltou e se solidificou. A gente já imaginava que isso ia acontecer [com os NFTs] e, inclusive, foi proposital ter esperado essa bolha explodir, porque as pessoas estavam vendendo vento e isso gera uma desconfiança geral do público. O que a gente fez foi pensar: para além de tudo isso, o que fez o NFT valer a pena? O que fica da relação com o artista? Fica o afeto criado entre o influenciador e o fã. Isso tem valor e sempre terá. Outro ponto é a certeza de que o volume vai fazer com que o modelo de negócio funcione. Quando as pessoas forem acrescentando as suas próprias artes na plataforma, vai ser criada uma comunidade. Não vão ser mais aquelas pessoas que estavam esperando ganhar na loteria.

Como vocês tratam da questão do impacto ambiental dos NFTs?

A Hathor, que é a nossa rede blockchain, tem um propósito muito claro de não gastar energia para além da mineração em si. Mas outro ponto é que ou a pessoa vai acreditar e apostar no conceito da descentralização da rede, ou não. Os NFTs gastam um quarto da energia que o YouTube gasta no mundo. Faria mais sentido criticarem a gente por trabalhar com o YouTube, entende?

Em nota, a Hathor afirma que “tem uma pegada de carbono próxima de zero, já que 99% do poder de processamento que assegura o funcionamento da tecnologia provém de outras redes, em um mecanismo conhecido como mineração compartilhada (merged-mining)”. “Em sentido prático, é como se disséssemos que ninguém está ligando novas máquinas para que a Hathor possa funcionar, mas apenas compartilhando recursos pré-existentes, a fim de torná-los mais eficientes.”

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