Setores altamente dependentes do movimento de shoppings centers, como o de serviços, precisaram se reinventar para sobreviver aos decretos de abre-e-fecha impostos pela pandemia de coronavírus. Esse é o caso da Doctor Feet, rede de franquia de podologia.

Como podologia entra na lista de serviços considerados essenciais, suas lojas até poderiam abrir durante as fases mais restritivas de funcionamento. O problema é que a maioria fica dentro de shoppings, prejudicando a operação da rede franqueada.

Para driblar esse vai-e-vem, a Doctor Feet está priorizando a abertura de lojas de ruas, criou um formato de unidade com metade do tamanho e passou a oferecer também atendimento em domicílio.

Veja entrevista com Jonas Bechelli, presidente da Doctor Feet.

Como é esse formato de loja menor que vocês estão lançando?

É um modelo com metade do tamanho, com duas cabines de atendimento. No formato tradicional, são quatro cabines de atendimento simultâneo. O investimento cai quase pela metade nesse formato, para R$ 180 mil.

Por que a opção por esse modelo de loja menor?

Havia demanda por esse tipo de loja menor. Além de ser mais econômico, facilita na hora de encontrar o ponto comercial e de fazer a instalação de equipamentos.

Essas lojas vão funcionar em shoppings ou serão na rua?

Pode ser em shopping ou na rua, mas vamos priorizar galerias, hipermercados pequenos centros comerciais. Inauguramos a primeira desse tipo no shopping Metrô São Bento, no centro de São Paulo. Pretendemos abrir mais 30 unidades dessas em dois anos.

Como vocês foram afetados pela pandemia?

Todos os negócios que estão em shoppings centers sofreram muito com a pandemia. Mais por causa da limitação do horário de atendimento e da capacidade do que pelo fechamento das atividades. Isso apavorou a gente, já que tínhamos despesa e não havia receita. Foram fechadas 20 lojas.

Aí, resolvemos mudar de estratégia e consolidar o modelo de lojas de rua. O ponto comercial custa mais barato do que no shopping e não enfrenta as mesmas restrições de abertura. Porque as pessoas querem ir ao podólogo, é só abrir que o movimento vem. Ninguém quer precisar ir a um hospital por causa de unha encravada.

Como ficou a receita da empresa?

A rede faturou metade do ano anterior por conta dos meses em que as lojas ficaram fechadas. Quando reabriu, as pessoas queriam vir. Mas a limitação de horário e de capacidade não permitia atender toda a demanda. A receita de 2020 totalizou R$ 62 milhões.

Por isso vocês criaram o home care?

Tem funcionado bastante e já representa 20% da receita. É um sistema interessante, porque o profissional vai até a casa do cliente levando todos os equipamentos esterilizados. O cliente conhece a qualidade dos serviços confia. É uma opção que dá mais confiança ao consumidor, pois sabe que empresa adota protocolos de segurança.

Alguma oportunidade que tenha sido criada pela pandemia?

Sim, vamos abrir mais lojas no Rio. Antes, era inviável pelo alto custo de ocupação e dificuldade para achar pontos comerciais. Com a pandemia, o alugue ficou mais barato e há mais oferta de imóveis no Rio.

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