Única companhia aérea que demitiu de forma massiva durante a crise do coronavírus, a Latam anunciou que pretende contratar 750 pilotos e comissários até o final deste ano, de olho na retomada de demanda esperada para este segundo semestre.

O objetivo é fazer frente à alta nos passageiros esperados para o pós pandemia: o avanço da vacinação, e a consequente volta do interesse dos brasileiros por viajar de forma mais intensa, já levaram a empresa a retomar 75% da oferta de assentos de julho de 2019.

“A aviação sofreu muito desde março do ano passado, tivemos um problema gigante. Mas já visualizamos uma retomada neste segundo semestre, com a aceleração da vacinação. Olhando estrategicamente, teremos necessidade de mão de obra”, afirma Jefferson Cestari, diretor de Recursos Humanos na Latam.

No ano passado, a companhia demitiu 2.700 tripulantes, o equivalente a 40% do total de pilotos e comissários. Enquanto outras companhias, como a Gol e a Azul, fecharam acordos de redução temporária de salários e jornada, a Latam foi a única que não chegou a um consenso com o sindicato.

“A Latam não aceitou fazer acordo de redução de salários de forma temporária. Só aceitava um acordo se fosse uma redução permanente de salários, o que é inconstitucional”, aponta Ondino Dutra, presidente do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários).

Entre recontratações e demissões

O anúncio da decisão de recontratação de 750 pilotos e comissários foi feito pela Latam em maio, no mesmo momento em que a Azul, que ganhou participação de mercado durante a crise, divulgou formalmente sua intenção de comprar a operação brasileira da empresa.

Na avaliação de analistas, essa comunicação pode ser encarada como uma forma da companhia chilena dar uma resposta aos que apontaram que a empresa, que entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos em 2020, está demasiadamente enfraquecida.

Para Dutra, do SNA, a empresa aérea cometeu um erro ao demitir um número excessivo de funcionários no ano passado. “Eles demitiram mais do que era necessário, e agora vão precisar recontratar”.

A lua de mel com os funcionários, entretanto, durou pouco. No início de julho, cerca de 60 tripulantes foram demitidos pela companhia, de acordo com o SNA. Para o sindicato, essas demissões são “discriminatórias”, ou seja, uma reação ao fato de a empresa não ter conseguido fechar acordo ao longo das negociações no ano passado.

A Latam, por seu lado, confirma que está dispensando alguns trabalhadores, mas ressaltou que esse processo não é massivo. “A Latam informa que está fazendo alguns movimentos de admissão e demissão de colaboradores, como parte regular da taxa de rotatividade. A empresa reforça ainda que os movimentos de desligamentos na tripulação não têm caráter massivo.”

Treinamento intenso para o retorno

De acordo com Cestari, da Latam, os pilotos e comissários recontratados passarão por um intenso processo de treinamento.

Em geral, o treinamento de pilotos e comissários que nunca trabalharam em uma companhia leva três meses. “Como estamos recontratando tripulantes, que já estão acostumados com a Latam, esse prazo será reduzido de três meses para um mês”, afirma o diretor de RH.

A princípio, de acordo com ele, o foco da companhia é em voos nacionais. “Os voos domésticos vão retomar de mais rápida. O internacional também voltará, mas isso depende de reabertura de fronteiras”.

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