Os grandes marketplaces do país estão em guerra para ver quem atrai mais sellers para sua plataforma de vendas. A Via, que entrou atrasada na disputa, comemorou o fato de ter atingido 108 mil sellers em curtíssimo espaço de tempo.

Com isso, a empresa consegue se aproximar do número de vendedores do Magazine Luiza (120 mil) e da Americanas (114 mil), empresas que investem no marketplace há muitos anos. Mas ainda está bem abaixo do Mercado Livre, que possui 12 milhões de vendedores na América Latina –a empresa não revela o total no Brasil, mas o país é seu principal mercado.

A meta de todas as varejistas é elevar esse número. A Americanas diz que o plano é ter 150 mil lojistas. “O marketplace é um dos grandes motores de crescimento da Americanas nos próximos três anos”, diz a companhia.

A força do marketplace pode ser comprovada no resultado do terceiro trimestre do Magazine Luiza. Neste período, as vendas do e-commerce subiram 22% – sendo que o aumento foi de 6,7% nas vendas online do estoque próprio do Magalu e de 67,3% no marketplace.

Mas não é qualquer seller que interessa às empresas. “Todo mundo quer ter o melhor seller, o que tem um bom produto, bom preço, que atende bem o cliente, que manda a encomenda no prazo, que faz todo trabalho de feedback e tira dúvidas do cliente. Por isso, os marketplaces mais desenvolvidos oferecem serviços e soluções para atrair os melhores parceiros negócios”, diz Eduardo Yamashita, COO da Gouvea Ecosystem.

Por que o seller é tão importante para o negócio dessas varejistas?

Para as varejistas, a grande vantagem de contar com um marketplace é oferecer para os clientes produtos que ela não vende diretamente. Dessa forma, elas conseguem diversificar a oferta sem precisar atuar diretamente em novas categorias de produtos.

“As varejistas usam os sellers para entrar em novas categorias de produtos. Elas não conseguem ter um estoque infinito, atuar em todas as categorias, não faz sentido. Faz menos sentido ainda atuar em categorias pequenas, de nicho”, diz Eduardo Yamashita.

A solução, então, é usar o seller para vender novas categorias. Dessa forma, as empresas conseguem a se relacionar mais vezes com o cliente à medida que oferecem novos produtos e serviços.

“Queremos aumentar o relacionamento com nossos clientes. O marketplace tem um papel importante, que é oferecer um sortimento maior e assim permitir que a gente consiga estar presentes mais vezes na vida do cliente. Quanto mais seller, quanto mais estoque tivermos, melhor será a experiência do cliente”, diz Helisson Lemos, CINO (Chief Innovation Officer) e vice-presidente de marketplace da Via.

O que o vendedor ganha se tornando seller?

Para começar, o vendedor ganha exposição digital em uma plataforma que tem muito mais usuários que a sua. Então, a chance de vender pode ser maior.

“Para atrair o seller, as empresas usam ativo muito importante, que é fluxo de consumidores que vêm para suas plataformas, seja pela força da marca, pelo investimento em mídia ou pela presença física de lojas”, diz Yamashita.

Além disso, as varejistas oferecem suporte para ensinar o seller a vender e expor melhor seus produtos no marketplace. “Esse suporte vai desde como fazer o cadastro até tirar a foto do produto, determinar preço e descrição ideal e como fazer”, diz Yamashita.

Julia Rueff, diretora sênior de marketplace do Mercado Livre no Brasil, diz que as ferramentas oferecidas pela plataforma auxiliam na profissionalização e desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a eles competir em pé de igualdade com marcas maiores.

“Em meio à crise gerada pela pandemia, o marketplace foi um importante caminho para empreender e continuar gerando renda para as famílias brasileiras”, diz ela.

Foco no financeiro

Mas só exposição não basta. As varejistas estão oferecendo novos produtos e serviços para atrair e reter novos sellers. A Via vai oferecer crédito para que os sellers possam vender a prazo para os clientes. Hoje, o crediário está disponível apenas para a venda direta.

No Magazine Luiza, os sellers podem usar as lojas físicas da varejista como uma espécie de agências dos Correios para despachar os produtos vendidos para os clientes. Além disso, a empresa incluiu as vendas do marketplace no serviço de entrega rápida por meio do ship from seller (um motoboy retira o produto no seller, agilizando a entrega).

O CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, disse que a empresa está ampliando a rede de sellers regionais para agilizar o prazo de entrega de produtos. Segundo ele, a concentração de sellers em São Paulo encarece o custo de frete e inviabiliza a entrega rápida.

“Hoje, 70% dos sellers estão concentrados no Sudeste. Para vender para o Nordeste ou Sul, tem prazo longo ou custo caro do modal aéreo. Por isso apostamos na digitalização do seller regional para trazer o estoque local para o marketplace”, disse Trajano.

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