(Atualizada às 19h33)

A empresa de energia elétrica Eneva enviou à AES Tietê, que pertence à norte-americana AES, uma proposta de combinação de negócios entre as companhias que resultaria na criação de uma “gigante no setor de geração de energia” no Brasil, informaram as empresas em comunicados nesta segunda-feira (2).

As units da AES Tietê dispararam após a notícia e fecharam em alta de 23,6%, enquanto os papéis da Eneva avançaram 8,4%.

O que aconteceu? A oferta, que é válida por 60 dias e ainda será analisada pela AES Tietê, envolveria um total de cerca de R$ 6,6 bilhões, sendo US$ 2,75 bilhões em dinheiro e aproximadamente R$ 3,9 bilhões em ações da Eneva.

A transação consideraria um prêmio de 13,3% sobre o preço das ações da AES Tietê, segundo a Eneva, que defendeu que o negócio resultaria na segunda maior empresa privada de geração de energia listada no Brasil.

Quem são as empresas envolvidas na fusão? A Eneva nasceu como MPX em 2007, para ser o braço na área de energia da holding EBX, de Eike Batista. O foco era a geração de energia com um parque de usinas termelétricas no Ceará e no Maranhão, cujo fornecimento seria garantido em parte com gás natural extraído de reservas no Maranhão, da OGX Maranhão.

Muitos analistas diziam que a MPX era a melhor empresa do império construído — sob bases frágeis — de Eike. Mas a derrocada do empresário fez a MPX mudar de mãos e de nome até acabar nas mãos de seus principais credores, o BTG Pactual e a Cambuhy Investimentos, empresa da bilionária família Moreira Salles (acionistas do Itaú Unibanco), cada um com 22,95% das ações. A Eneva opera principalmente usinas termelétricas a gás, com portfólio de geração de energia que soma 2,8 gigawatts em capacidade instalada, dos quais 78% já operacionais.

Já a AES Tietê possui um grande parque de usinas hidrelétricas e mais recentemente passou a apostar na expansão da geração por meio de usinas eólicas e solares. A companhia possui 3,35 gigawatts em capacidade instalada total, com projetos em implementação que a levarão a alcançar 3,9 gigawatts.

A combinação dos negócios levaria a uma companhia que chegaria aos 6,4 gigawatts em capacidade até 2024, contra cerca de 8,7 gigawatts da atual líder privada em geração no Brasil, a Engie Brasil Energia, da francesa Engie, e 8,3 gigawatts da CTG Brasil, unidade local da chinesa Three Gorges Corporation, que não é listada.

Por que as empresas apostam na fusão? “Há muito valor a ser gerado através dessa combinação de negócios. No fundo, grande parte do mérito da operação está em você consolidar um portfólio que combina ativos hídricos com termelétricos, eólicos e solares”, disse à Reuters o presidente da Eneva, Pedro Zinner.

“A nova companhia passaria a ter uma geração de caixa mais estável, um risco de crédito menor, melhor acesso ao mercado de capitais. De certa forma, mais preparada para crescer e atender à demanda do setor de energia nos próximos anos”, acrescentou Zinner, que já foi head global de tesouraria da mineradora Vale.

Como será feita a transação? A operação proposta pela Eneva seria implementada por meio da incorporação das ações da AES Tietê pela empresa, em estrutura que contemplaria a entrega de ações da Eneva aos acionistas da AES Tietê e pagamento de uma parcela em dinheiro de R$ 2,75 bilhões.

Os acionistas da AES Tietê receberiam no negócio um total de 91.994.693 milhões de ações da Eneva, equivalentes a 22,58% do capital social da companhia.

Isso equivaleria a 0,0461 ação ordinária da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial da AES Tietê, ou 0,2305 por unit da AES Tietê, mais os recursos em dinheiro. Os papéis da Eneva fecharam a R$ 42,75 na última sexta-feira (28), enquanto as units da AES Tietê encerraram a R$ 15,21 cada.

Se concretizada a operação, a nova companhia teria Cambuhy e BTG Pactual como maiores acionistas, com 17,8% cada um. O braço de investimentos em empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) e a AES, principais sócios da AES Tietê, teriam 6,4% e 5,5%, respectivamente.

Como ficaria a participação do BNDES nessa nova empresa? Esse desenho societário ainda facilitaria uma eventual saída do BNDES da AES Tietê, dentro da nova política estratégica do banco de vender participações que possui em empresas, disse à Reuters o diretor financeiro da Eneva, Marcelo Habibe.

“(Seria) importante também para o BNDES, que já manifestou vontade de desinvestir de alguns ativos. O BNDES passa a ser acionista de uma empresa maior e com mais liquidez. Se for desejo do BNDES vender a participação remanescente, é muito fácil. Ele pode se desfazer (das ações) facilmente no mercado, sem desconto”, explicou.

Quais são os próximos passos? A AES Tietê disse que analisará a oferta “de forma detalhada, mantendo o mercado informado sobre eventuais desdobramentos”.

O diretor financeiro da Eneva disse à Reuters que a combinação de ativos termelétricos da companhia com as hidrelétricas e os ativos eólicos e solares da AES Tietê seria um “casamento perfeito”.

“É uma combinação perfeita de ativos, com uma complementaridade muito interessante”, afirmou ele, destacando que o perfil de geração das térmicas funcionaria como uma proteção natural contra momentos de menor produção hidrelétrica.

A Eneva defendeu em comunicado que “a combinação de negócios e a união dos talentos e forças” das elétricas “representam uma oportunidade única para as empresas e seus acionistas”.

(Com a Reuters)

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