A pandemia de coronavírus está sendo um teste de fogo para milhares de empresas descobrirem como manter suas operações em um ambiente em que quase a totalidade das equipes estão trabalhando de casa. Esse aprendizado requer um olhar cuidadoso para funcionários, principalmente aqueles que têm filhos. A avaliação é da CEO da FMCSV (Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal), Mariana Luz, nomeada Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial.

“As empresas que conseguirem manter um olhar cuidado para famílias com crianças pequenas vão triunfar. Elas vão conseguir manter uma liderança positiva e assim estreitar o vínculo com seus funcionários. Como resultado, os colaboradores estarão mais engajados e comprometidos com suas atividades”, afirma Mariana. Veja abaixo principais trechos da entrevista com a CEO da FMCSV:

Momento de construir as bases para o que vem depois da pandemia

Para Mariana, este é o momento de aproveitar a crise para construir as bases de um novo relacionamento com os funcionários. “Esse é um momento singular na sociedade, mais complexo, em que todos estão atuando em modelo diferente a aprendendo ao mesmo tempo. É uma oportunidade de transformar a crise em um novo momento da relação entre empresas da relação com seus funcionários.”

O que significa esse novo olhar na prática?

A CEO da FMCSV afirma que a pandemia serviu para mostrar que empresas e pessoas têm necessidades diferentes. Segundo ela, atender às necessidades dos funcionários não implica em abrir mão das metas da companhia, mas ter um novo olhar sobre essa relação.

“É preciso ter um olhar de mais flexibilidade. É preciso entender que não dá para ficar disponível presencialmente a mesma quantidade de horas em home office, porque esse não é um home office tradicional. Agora, o tempo é dividido com os cuidados com a família, com a casa, com a comida, com a escola dos filhos.

O que pode ser feito para facilitar então a vida dos funcionários com tantos afazeres?

Uma recomendação é entender que os funcionários têm outras questões práticas para resolver. Então, se possível, as empresas deveriam evitar marcar reuniões que se estendem até o horário do almoço. “As pessoas precisam servir o almoço da família, interagir, lavar a louça. É preciso reconhecer que existe uma nova necessidade”, diz Mariana.

Na Fundação, segundo ela, nenhuma reunião dura mais de duas horas e o horário de almoço ficou mais longo. “É uma nova realidade. Famílias com crianças pequenas, principalmente, precisam suprir a necessidade delas do ponto de vista físico e emocional.”

Por que as empresas se preocupariam com essas questões agora?

Mariana diz que já faz tempo que empresas adotaram o discurso de que os funcionários são o maior ativo da companhia e seu diferencial competitivo. “Essa é a hora de construir a base para o cenário de valorização dos colaboradores: dar razão para os funcionários produzirem mais e assim fortalecerem as companhias.”

“É a chance das empresas que diante da crise elas enxergam a oportunidade de valorizar os indivíduos e assim alcançam seus resultados.”

Mas tudo isso não vai afetar a produtividade?

Mariana diz que a FMCSV sempre tem o cuidado de não se desconectar da realidade. “Não é preciso abrir mão da produtividade. Entndemos a nova realidade, sabemos que é difícil, enxergamos essa complexidade, mas achamos que esse olhar humano vai despertar nas empresas e indivíduos a capacidade de fazer uma mudança positiva.”

Mariana Luz, presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Mariana Luz, presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal
Crédito: Divulgação

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