Em decisão histórica nos Estados Unidos, a multinacional americana Johnson & Johnson foi condenada a pagar US$ 572 milhões por danos ao estado de Oklahoma, devido à crise dos opioides. Os produtos associados à acusação são o adesivo Duragesic (Fentanil) e os comprimidos Nucynta (Tapentadol).

Qual o contexto dessa condenação? Desde 2000, cerca de 6.000 pessoas no estado morreram de overdose de opioides, de acordo com os procuradores de Oklahoma. O juiz do caso, Thad Balkman, disse que os promotores demostraram que a J&J promoveu de forma enganosa o uso de analgésicos legais, que são altamente viciantes.

Balkman afirmou que o laboratório Janssen, a divisão farmacêutica da J&J, adotou práticas de “propaganda enganosa na promoção de opioides”, o que levou a uma crise de dependência desses analgésicos, mortes por overdose e a um aumento das síndromes de abstinência neonatal no estado americano.

A decisão é histórica porque é a primeira a responsabilizar uma farmacêutica pelas consequências de anos de distribuição de opioides, que começaram no fim dos anos 90.

Qual o impacto dessa decisão? Ela pode afetar os rumos de quase mais de 2.000 processos apresentados contra fabricantes de opioides em várias regiões dos Estados Unidos. Mas o valor ficou abaixo das expectativas, que era de R$ 2 bilhões.

Como o dinheiro da multa será usado? Os US$ 572 milhões deverão ser usados para enfrentar a epidemia de vício em opioides nos próximos 30 anos por meio de programas de tratamento e prevenção.

Qual o impacto dos opioides? De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas da Organização das Nações Unidas (ONU), analgésicos sintéticos como o Fentanil são 50 vezes mais potentes do que a heroína.

Estima-se que 4% de todos os americanos adultos tenham consumido algum tipo de opioide, pelo menos uma vez, em 2017. Das 70.237 mortes por overdose registradas nos EUA nesse ano, 47.600 foram por causa do uso de opioides, 13% a mais do que em 2016.

O que a empresa disse sobre isso? A Johnson & Johnson negou ter cometido qualquer irregularidade e disse que apelaria da decisão.

(Com Agência Brasil)

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