Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, ficando abaixo da marca psicológica de 5,60 reais, com investidores aproveitando para realizar lucros num dia sem grandes catalisadores externos e em meio ao debate sobre o ritmo de aperto monetário no Brasil.

O dólar à vista caiu 0,51%, a 5,5654 reais. É o menor patamar desde o último dia 17 (5,5264 reais) e a maior baixa percentual diária desde 11 de novembro (-1,80%).

O clima mais calmo se estendeu também a outros mercados. Na bolsa, por exemplo, o principal índice subia 1,3% meia hora antes do fechamento, para uma máxima em mais de uma semana. Os juros futuros caíam nas negociações estendidas.

“O leilão (de títulos do Tesouro) foi pequeno, e o mercado ainda está reagindo de certa forma às falas do Campos Neto de ontem”, disse um operador.

O Tesouro vendeu cerca de 5 bilhões de reais entre prefixados (LTN e NTN-F) e em torno de 13,7 bilhões de reais em LFT (pós-fixado), colocando no mercado pela terceira semana seguida um nível de risco mais estável.

A descompressão nos preços da renda fixa –cujo chacoalhão nos últimos tempos acabou inflamando as altas do dólar– também ajudou a “destravar” certa realização de lucros na taxa de câmbio. Na véspera, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou que poderia não chancelar os elevados níveis de prêmio vistos na curva de DI, o que trouxe as taxas para baixo.

De toda forma, o reforço nas últimas semanas das expectativas de aumentos da Selic já oferecia uma boa “blindagem” ao real. A taxa embutida em contratos de taxa de câmbio a termo dólar/real de um ano estava em 11,4% ao ano, contra 8,3% em meados de outubro e 2,4% um ano atrás.

O que acaba compensando parte desse retorno é a alta volatilidade do real, que no mundo emergente só fica abaixo da atribuída à lira turca. E a piora das perspectivas para a economia é um obstáculo a mais, uma vez que torna o país menos atrativo a investimentos externos.

Em uma semana o IBGE divulgará os dados preliminares do PIB de julho a setembro. “Existe um risco não desprezível de o PIB ter contraído no terceiro trimestre, o que neste caso configuraria uma recessão técnica”, alertou o Citi em nota. Por ora, a estimativa do banco é de estabilidade frente aos três meses anteriores.

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