Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar chegou a saltar mais de 1% frente ao real na manhã desta sexta-feira, acompanhando movimento internacional de aversão a risco em meio ao pânico de investidores com a descoberta de uma nova variante do coronavírus possivelmente resistente a vacinas.

Pouco se sabe sobre a cepa, detectada na África do Sul, Botswana e Hong Kong, mas cientistas dizem que ela tem uma combinação atípica de mutações e pode ser capaz de evitar respostas imunológicas e se mostrar mais transmissível.

Autoridades britânicas acreditam que essa é a variante mais significativa até agora e ela levou a União Europeia, o Reino Unido e a Índia, entre outros, a anunciarem controles mais rígidos de fronteira.

Às 9:57, o dólar avançava 0,82%, a 5,6111 reais na venda. Na máxima do dia, a divisa chegou a saltar 1,38%, a 5,6424 reais. Na B3, o contrato mais negociado de dólar futuro subia 0,83%, a 5,617 reais.

O dólar apresentava ganhos próximos a 1% contra divisas de países emergentes cujo movimento o real tende a acompanhar, como rand sul-africano e peso mexicano. A abatida lira turca , que já tem sofrido por incertezas domésticas relacionadas à política monetária, perdia quase 2%.

Contra uma cesta de seis pares fortes, a moeda norte-americana apresentava perdas de 0,5% nesta sessão, mas isso refletia a forte demanda pelo franco suíço e o iene japonês, componentes do índice do dólar que são considerados bons refúgios em tempos de incerteza econômica.

Nos mercados de ações, os principais índices europeus despencavam, enquanto os futuros de Wall Street apontavam para abertura também em forte baixa. [.EUPT] [.NPT]

Os contratos futuros de petróleo dos EUA e Brent, por sua vez, afundavam 6,7% e 5,9%, respectivamente.

“O pânico impõe cautela no meio dos investidores, que, temerosos pelo avanço da nova variante do vírus mundo afora, se afastam do risco e se refugiam nos ativos que representam segurança”, escreveu Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

“Está tudo muito sensível no exterior, reflexo das incertezas disseminadas pela nova onda viral, lockdown, fechamentos de fronteiras terrestres e aéreas, etc….”

Várias economias importantes, como a dos Estados Unidos, têm mostrado recuperação neste ano em relação à crise desencadeada pela Covid-19 em 2020, impulsionadas, entre outros fatores, pela resiliência do consumidor. Caso uma piora do quadro sanitário global force a imposição de novos lockdowns em um amplo número de países, a retomada mundial pode ser comprometida.

Na Europa, por exemplo, a Áustria já adotou novas restrições econômicas rígidas em tentativa de frear a quarta onda do coronavírus, que tem varrido o continente mesmo sem a presença confirmada da nova variante detectada na África do Sul.

A Alemanha, maior economia da Europa, também debate fazer o mesmo.

Na última sessão, a moeda norte-americana spot caiu 0,51%, a 5,5654 reais.

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