SÃO PAULO (Reuters) -O dólar ensaiava queda nesta quarta-feira ante o real, que nem de perto anula os fortes ganhos da véspera, com o mercado de câmbio ainda em modo conservador em meio a temores de ameaça à credibilidade fiscal depois de propostas de despesas fora do teto de gastos.

O dólar à vista caía 0,22%, a 5,5834 reais, às 9h30 (de Brasília), e já chegou a zerar a queda. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,12%, a 5,5915 reais, após bater 5,6040 reais.

Na terça, a cotação no mercado à vista saltou 1,35%, a 5,5956 reais, máxima de fechamento desde 15 de abril (5,6276 reais).

Os juros futuros, que dispararam mais de 50 pontos-base na véspera, subiam mais 10 pontos-base na manhã desta quarta.

O mercado segue em estado de tensão depois da liquidação dos ativos locais na véspera, quando o Ibovespa afundou mais de 3% após notícias de que o governo proporia bancar parte do novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) com recursos fora do teto de gastos até o fim de 2022. Analistas disseram que seria a desmoralização do instrumento, visto como âncora fiscal do país.

O noticiário mais recente aponta que o Executivo poderia recorrer a um ajuste na PEC dos precatórios para viabilizar o Auxílio Brasil –a PEC pode ser votada em comissão especial nesta quarta.

Dificultando ainda mais a vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, há quem diga que a reforma do Imposto de Renda –aposta inicial do ministro para financiar o Auxílio Brasil– não deve avançar no Senado até pelo menos o fim do governo atual.

A temperatura no mercado e em Brasília, assim, permanece elevada, tanto que o Banco Central voltará a ofertar mais 1,2 bilhão de dólares em derivativos da moeda norte-americana, depois de na véspera o real, mais uma vez, ter sido a moeda com pior desempenho do mundo.

“De fato, a despeito das altas da Selic nos últimos meses, o fiscal parece que é o principal responsável pela contínua trajetória altista do dólar frente ao real”, disse Rafael Gabriel Pacheco, da Guide Investimentos.

(Por José de Castro)

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