SÃO PAULO (Reuters) – O dólar desabou durante a tarde desta quarta-feira, indo abaixo de 5,50 reais no mercado à vista depois de superar 5,57 reais, movimento esse que chamou o Banco Central ao mercado com uma oferta de 1 bilhão de dólares em contratos derivativos.

O dólar à vista caía 0,47%, a 5,5122 reais, às 16h04 (de Brasília). Pouco antes das 15h, a moeda havia batido a máxima da sessão –de 5,5743 reais, alta de 0,65%. Foi quando o Banco Central anunciou um leilão de contratos de swap cambial tradicional –cuja colocação funciona como uma venda de dólares no mercado de dólar futuro.

O mercado repercutiu imediatamente e fez uma liquidação de dólares, levando a moeda à mínima intradiária de 5,4997 reais, queda de 0,70%.

Segundo um analista de câmbio de um banco estrangeiro, a queda livre do dólar na sequência se deveu ao “efeito surpresa” da operação e ao lote maior de swaps, o que acabou pegando o mercado no contrapé e forçou uma virada de mão dos “comprados” em dólar (que apostam na apreciação da divisa).

O volume de swaps colocado nesta quarta-feira foi o dobro do vendido na última vez que o BC recorreu a esse instrumento de forma extraordinária, em 30 de setembro.

O anúncio do leilão ocorreu num dia em que o real estava visível e negativamente descolado de seus pares. No pior momento da sessão, a moeda brasileira era a de desempenho mais fraco numa curta lista de três divisas que caíam frente ao dólar. Os demais 30 principais pares da moeda norte-americana se valorizavam ou mostravam estabilidade.

O leilão sem aviso desta quarta se soma às ofertas líquidas e às operações de rolagem que a autarquia vem realizando nos últimos dias como forma de prover liquidez ao mercado num momento de forte demanda por dólar –relacionada ao desmonte de proteções cambiais pelos bancos (“overhedge”) e ao fim do ano, quando aumentam as remessas de lucros e dividendos.

(Por José de Castro)

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