SÃO PAULO (Reuters) – O setor de distribuição de aços planos do Brasil avalia que o mercado nacional está atingindo a normalidade após viver uma situação de praticamente um ano de desequilíbrio entre oferta e demanda gerada pelos impactos das medidas de isolamento social.

“Praticamente não tem nenhum distribuidor reclamando de falta de matéria-prima”, disse o presidente da associação que representa a distribuição de aços planos, Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas, nesta terça-feira.

“Não existe mais fobia por compra, por outro lado…o que se fala é de queda nas margens. Estamos caminhando para margens (de lucro) normais”, afirmou o executivo. Segundo ele, as margens de lucro dos distribuidores nos últimos meses de desequilíbrio do mercado interno ficaram entre 25% e 30%, ante nível de 15% antes da pandemia.

Loureiro afirmou que, dado o esperado grande volume de aço importado que deve chegar ao Brasil até agosto, além dos preços internacionais em relativa estabilidade, “dificilmente vamos ter outro aumento de preço pelas usinas este ano”.

Desde janeiro, os preços de aços planos vendidos pelas usinas nacionais aos distribuidores subiram cerca de 65%, disse Loureiro, com os reajustes atingindo 160% a 170% desde o início da pandemia. Mas ele citou que nos Estados Unidos, os aumentos foram ainda mais intensos, somando cerca de 300% no período.

Loureiro afirmou ainda que o chamado prêmio, a diferença entre o preço do aço produzido no Brasil e o importado está atualmente entre 13% e 17%.

JUNHO

Em junho, os distribuidores de aço plano tiveram queda de 6,4% nas vendas ante maio, somando 300 mil toneladas. Na comparação com junho de 2020, as vendas subiram 3,3%.

Já as compras de aço junto às usinas em junho subiram 0,5% ante maio e 16,8% na comparação anual, para 347,3 mil toneladas.

Com isso, o estoque do setor avançou 6,4% em junho ante maio, para 785,8 mil toneladas, equivalente a 2,6 meses de vendas, nível maior que era de 2,3 meses em maio.

As importações encerraram junho com alta de 19,6% em relação ao mês anterior, com volume de 226 mil toneladas. Ante junho de 2020, as compras de material importado pelos distribuidores de aços planos saltaram 118%, segundo o Inda.

“A importação vai ser um grande fator no terceiro trimestre. Tem muita coisa (alto volume de importação) fechada. Os números de julho e agosto serão altos”, disse Loureiro. “O que move a importação é falta de material. Isso aconteceu em janeiro fevereiro e março”, disse, explicando que as importações chegando ao país agora foram negociadas nos meses anteriores.

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO?

O presidente do Inda avaliou comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, na semana passada sobre eventual compromisso das siderúrgicas com o governo federal, que teria sido acertado para não haver mais aumentos de preço de aço, sob pena de corte no imposto de importação da liga.

Na avaliação de Loureiro, o comentário de Guedes foi provavelmente fruto de “um mal entendido” e que o ministro “se entusiasmou” ao dizer que havia acordo com as usinas para evitar novos aumentos de preços.

“Não acredito que as usinas tenham se reunido (para acordo de preços). Isso é contra, inclusive, regras de compliance”, disse o presidente do Inda, lembrando que a CSN não participa do Aço Brasil, órgão que representa as siderúrgicas.

Em resposta a setores consumidores de aço incomodados com os sucessivos reajustes nos preços da liga nos últimos meses, Loureiro afirmou que “o aumento de preço é mundial”.

“Qualquer sujeito que usa aço no mundo está colocando a boca no trombone. E adianta alguma coisa? Não adianta. Tem que passar para a frente. Não dá para passar para frente? Não vende, e aí cai o consumo e regulariza o mercado. Essa é a lei do mercado.”

Ele afirmou que uma situação em que o mercado de aço nacional passa a deixar de contar com proteções comerciais não é ideal até para os distribuidores, uma vez que a atuação de oportunistas pode prejudicar o mercado.

“A importação tem que ser feita por pessoal consciente e dentro de uma certa disciplina. Deixar o mercado completamente aberto para importação não é interessante…Não existe nenhum país no mundo que não tenha imposto de importação de aço”, disse Loureiro. “A gente quer que a Usiminas quebre? É isso que o pessoal do consumo de aço quer?”, questionou.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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