(Atualizada às 12h38 de 30/06/2021)

Antes de ter seu nome associado ao chamado ‘ministério paralelo da Saúde’, o empresário Carlos Wizard era mais conhecido pelo lado empreendedor – chegou a ser chamado de rei das franquias. Ele fundou a rede de escolas de inglês Wizard e participou do programa Shark Tank.

O empresário depõe hoje na CPI da Covid. Ele chegou ao Senado carregando um cartaz com um versículo do Velho Testamento, Isaías 41:10. O versículo diz: “Não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa”.

Nascido em uma família de sete filhos, Wizard construiu seu império a partir do ensino do inglês – ele vendeu a Wizard para o grupo Pearson, em 2013, por R$ 1,95 bilhão. “Quando comecei a dar aulas de inglês, não tinha estrutura financeira. Comecei na mesa da sala de casa, era eu e o aluno, um olhando para cara do outro. Aluguei uma casa, tinha duas ou três salinhas onde eu dava aula e minha mulher, meus pais, meus filhos moravam na outra metade”, disse em entrevista à Veja em 2017.

O inglês, segundo ele, entrou na sua vida através da religião. O empresário conta que aprendeu o idioma depois que sua família entrou na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. “Meu pai era motorista de caminhão, minha mãe era costureira, tinham sete filhinhos para criar. Como eu poderia chegar lá? Mas consegui estudar nos Estados Unidos, trabalhei no centro de idiomas da faculdade. Quando retornei ao Brasil, comecei a lecionar inglês. Se meu pai não tivesse conhecido os missionários, se nunca tivesse aprendido inglês e nunca tivesse ido para os EUA, o que estaria fazendo? Não sei, mas a história aconteceu assim.”

Por conta da religião, Wizard afirmava que não trabalhava aos fins de semana. Os sábados ele dedicava à família, e os domingos, à igreja.

Negócios

Ele criou a gestora de investimentos Sforza e a holding Multig QSR, que opera marcas famosas no Brasil, como Taco Bell, Pizza Hut e Mundo Verde. Os filhos gêmeos Charles e Lincoln estão à frente de vários desses negócios. O grupo voltou ainda para o inglês,  por meio da rede WiseUp.

Wizard também se aventurou no mundo editorial: escreveu os livros Desperte o Milionário que Há em Você, Sonhos Não têm Limite, Do Zero ao Milhão e Meu Maior Empreendimento.

CPI da Covid

O depoimento de Wizard estava marcado para 17 de junho, mas ele não compareceu. Por conta disso, a CPI chegou a pedir suia condução coercitiva e apreensão do passaporte do empresário.

Em fala inicial à comissão, o empresário negou a existência do “gabinete paralelo” e financiamento a remédios.

Em sua fala inicial na CPI da Covid, o empresário Carlos Wizard negou que tenha participado ou tenha conhecimento do chamado “gabinete paralelo” de assessoramento ao presidente Jair Bolsonaro em assuntos da pandemia. Ele afirmou também que nunca fez “qualquer movimento” para a compra de medicamentos para enfrentamento à covid-19 ou financiamento de comunicação sobre o tema.

Logo após as afirmações, Wizard comunicou aos senadores que, com amparo na decisão do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ficará em silêncio durante o resto da oitiva.

Por que ele foi chamado pela CPI?

O empresário é definido pela Folha de S.Paulo como ‘um dos integrantes do gabinete paralelo da saúde, centro de aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro na pandemia e que pregava o negacionismo, em particular a defesa da hidroxicloroquina e a recusa à vacina’.

Entre as polêmicas colecionadas por ele está a defesa das empresas furarem a fila de compra de vacina contra a covid-19 para imunizarem seus funcionários. “Será que nós empresários vamos ficar de braços cruzados aguardando essa fila única do Sistema Único de Saúde (SUS) andar, até que o restante da população tenha alcance à vacina?”, afirmou Wizard em entrevista à CNN.

(Com Estadão Conteúdo)

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