O aparelho mais importante da sala sempre foi a TV, território dominado por marcas coreanas como Samsung e LG. Nomes nacionais como Britânia e Mondial – mais conhecidas por eletroportáteis como air fryer e liquidificador – querem, junto com a Multilaser, conquistar esse espaço nobre.

Aproveitando o vácuo deixado pela Sony, que deixou o Brasil em 2020, anunciaram planos de entrar no segmento de TV. A Multilaser, por meio de uma parceria com a Toshiba, e a Britânia, já lançaram seus aparelhos. As TVs da Mondial chegam ao varejo em novembro.

“Já estamos na sala das pessoas. Temos uma linha de áudio, somos líderes em caixas acústicas. O que acontece é que produzir TV é uma coisa aspiracional para a indústria. Quem está no segmento, quer ir para o topo da categoria e o topo é produzir TV”, diz Giovanni Marins Cardoso, fundador da Mondial.

Por que essas empresas decidiram entrar nesse mercado? Um pouco por oportunidade e também por entenderem que a TV virou o principal meio de entretenimento durante a pandemia.

“A TV deixou de ser aquele aparelho que o consumidor usava para assistir a canais abertos ou a cabo e virou uma forma de acessar serviços de streaming. A pandemia acelerou essa transformação. A pessoa está na rua assistindo a uma série, chega em casa e termina de ver na TV”, afirma André Poroger, vice-presidente de produtos da Multilaser.

A estratégia de entrada no mercado de TV das três marcas é igual? Não exatamente. A Multilaser já atua no segmento de telas com produtos de entrada, ou seja, mais econômicos. Com a parceria com a Toshiba, a empresa quer conquistar um mercado mais premium.

“Com Toshiba, entramos no segmento mais premium de mercado. Nossos modelos trazem tecnologia de pontos quânticos, são todas TVs 4K, design diferenciado, bordas ultrafinas”, diz Poroger.

A Mondial comprou a fábrica da Sony e antecipou a fabricação de TVs nacionais. “A gente já tinha planos de começar a fabricar TVs em 2022. Como compramos a fábrica da Sony, antecipamos o plano de entrar nesse mercado ainda neste ano”, conta Cardoso.

A Britânia faz parte do mesmo grupo da Philco, que já produz TVs. “Neste ano, estamos celebrando 65 anos e vimos que podemos passar para outros cômodos da casa. Fizemos estudos de mercado e um dos que mais cresce é o de entretenimento. Vendo essa movimentação, enxergamos uma oportunidade de entrar em TVs”, diz Heloisa Freitas, gerente de marketing da Britânia.

Linha de produção de TVs da Mondial
Crédito: Divulgação

O que o consumidor quer de uma TV?

Quando se trata de TV, tamanho e acesso à internet costumam ser documento. Números da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos) mostram que 41,5% das TVs vendidas no ano passado tinham mais de 45 polegadas. E 97% delas eram smart tv.

“O consumidor sonha comprar uma TV nova e tamanho é o atributo que ele mais valoriza na hora de trocar de aparelho. Com o protagonismo do streaming, ele passa a valorizar outras características, como centro de processamento smart”, diz Fernando Baialuna, diretor de varejo da consultoria GfK.

De olho na aspiração por telas grandes, as TVs da Toshiba terão tamanhos de 55 e 65 polegadas. A Britânia e Mondial têm modelos de 32 a 55 polegadas.

Premium que cabe no bolso

O problema, segundo Bailaluna, é fazer o preço dessas TVs de tela grande e processamento smart caber no bolso do brasileiro. “A gente começa a ver neste ano um comportamento que aconteceu em outras crises. O consumidor muda a forma de encarar o que é premium. Ele aceita uma TV de tela grande com um centro de processamento que não é o mais moderno ou com uma resolução que não a melhor do mercado”, afirma Baialuna.

“Por isso, a tendência é que os novos fabricantes, para competir com as marcas dominantes, lancem o que chamamos de premium acessível. É o premium que cabe no bolso”, afirma Baialuna.

Os novos entrantes não querem admitir o preço mais baixo. “Não queremos guerra [de preço] com ninguém. Não seremos as mais caras nem as mais baratas”, afirma Cardoso, da Mondial.

As TV da Britânia vêm com quatro aplicativos instalados: Youtube, Netflix, Amazon e GloboPlay. Elas vão custar de R$ 1.400 a R$ 3.400. Não dá para baixar outros aplicativos, como Disney+, por exemplo. As da Mondial devem seguir essa mesma lógica. As da Toshiba dão acesso à loja de aplicativos, mas ainda não têm acesso ao Disney+.

“Esses quatro aplicativos cobrem 90% dos que os consumidores utilizam hoje. Acreditamos que esses quatro atendem a maioria das necessidades e oferecem uma experiência satisfatória para o cliente”, afirma Heloisa Freitas, gerente de marketing da Britânia.

Mas ela diz que a empresa está negociando a inclusão de outros serviços em suas TVs. “A tendência é que a gente busque mais canais. Na semana passada estive em reuniões com outros canais de streaming.”

A Britânia, segundo ela, não descarta incluir uma loja de aplicativos na próxima geração de TVs. “A gente pretende trazer no futuro. Trouxemos primeiro essas com Youtube, Netflix, Amazon e GloboPlay com um preço competitivo.”

Como fica o mercado daqui para a frente?

No ano passado, foram vendidas mais de 12,6 milhões de smart tvs, segundo a Eletros. Neste primeiro trimestre, as vendas encolheram 3% após o salto verificado na Black Friday e Natal.

Para Bailuna, a TV continuará sendo o principal item de entretenimento dentro de casa. “A diferença é que a pessoa não precisa ter uma super TV em vários cômodos da casa. Com a segunda tela, ela tem uma na sala e usa o tablet, notebook ou celular como segunda tela”, diz. “O consumidor não compra, necessariamente, uma segunda TV.”

Cardoso, da Mondial, já acredita que o brasileiro continuará tendo mais de uma TV por domicílio. “A pessoa tem uma TV na sala, mas coloca outra no quarto do filho. Isso ainda deve continuar acontecendo.”

Para 2022, Britânia, Mondial e Multilaser devem se beneficiar do esperado aumento de TVs. “Será um ano e Copa, evento em que tradicionalmente há um boom de venda de TVs”, diz Baialuna.

Modelo de TV da Toshiba, feita em parceria com a Multilaser
Crédito: Divulgação

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